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Quer levar os miúdos de férias a Zanzibar? Contamos-lhe tudo

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Nadámos atrás de golfinhos, fomos alimentar tartarugas resgatadas das praias e comemos lagosta num banco de areia. Pelo meio, demos, claro, vários mergulhos - e assustámos uma criança com um snorkeling incrível.

A máscara de mergulho tinha sido testada na piscina do hotel, o mar estava calmo “e na Lagoa Azul o snorkeling é sempre bom”, garantiu-nos o guia. Por isso, assim que o barco parou, saltámos para a água e pusemos a cabeça dentro do Índico. Em poucos segundos, o que nos levou a querer ficar foi o mesmo que fez o pequeno Francisco, de 7 anos, voltar ao barco. À nossa volta, por todo o lado, peixes tropicais de várias cores; no fundo do oceano, com visibilidade total, corais e estrelas do mar. A fama era justificada: o snorkeling ali é de facto bom.

Uma vista aérea de Stone Town,  a zona  histórica da capital, a cidade de Zanzibar
Uma vista aérea de Stone Town, a zona histórica da capital, a cidade de Zanzibar

Para chegar à Blue Lagoon a partir do ponto mais a norte da ilha, Nungwi, onde estávamos alojados, prepare-se primeiro para uma hora e meia de viagem de carro até Michamwi Pingwe - é ali que vai apanhar o barco. Além de ponto de partida para a lagoa, esta praia tem o mais famoso restaurante da ilha, um antigo abrigo de pescadores construído em cima de uma rocha no meio do mar - e por isso mesmo apelidado The Rock. Quando a maré enche, a única forma de lá chegar é de barco, o que por si só é uma atração para miúdos (e graúdos). Se quiser garantir mesa, faça uma reserva no site, e prepare-se para preços europeus, com pratos acima de €20 - e lagostas mais caras, claro.

O barco para chegar ao The Rock é um sinal evidente daquela que é uma das principais características de Zanzibar: as marés extremas - tão vazias que podem fazer o mar recuar um quilómetro e tornar os banhos quase impossíveis; e tão cheias que o areal de algumas praias quase desaparece.

No banco de areia de Nakupenda, um dos locais mais instagramados de Zanzibar
No banco de areia de Nakupenda, um dos locais mais instagramados de Zanzibar

É o caso de Paje e de Jiambiani. Paramos na primeira destas praias, uma antiga aldeia de pescadores que se transformou na zona mais cosmopolita da ilha. Enquanto almoçamos um ótimo caril de marisco no Mr Kahawa, um butique-hotel e restaurante em cima do areal, a poucos metros de nós o mar enche-se de praticantes de kitesurf (há uma escola ali mesmo ao lado), que aproveitam o vento e as ondas.

A mais meia hora de viagem fica a Floresta de Jozani, o único parque natural de Zanzibar. É aqui que vai encontrar colónias de red colobus monkeys, uma das espécies de macacos mais raras de África. Vivem geralmente em grupos de 5 a 50 e são bastante dóceis - é provável que encontre alguns à entrada do parque (estão habituados à presença de humanos).

Voltamos ao norte, uma das poucas zonas da ilha onde as marés não dificultam os mergulhos. E essa é uma das razões para que Nungwi seja um dos pontos mais procurados, mas também um dos mais turísticos, de Zanzibar: é impossível estar na praia sem ter alguém, geralmente da tribo Maasai, a oferecer-lhe massagens e todo o tipo de excursões. Apesar de as praias serem muito bonitas (não perca o pôr do sol), se quiser um bocadinho mais de tranquilidade (não muita, na verdade), apanhe um táxi até Kendwa - por estrada são apenas quatro quilómetros; a pé, pelo areal, bem menos.

Visitar Kendwa na maré vazia é outra forma de maravilhar os miúdos: dentro de água vai encontrar centenas de estrelas do mar, que se veem sem precisar de mergulhar. Se quiser impressioná-los com a vista para saltos de paraquedas, há sempre turistas a aterrar no areal. E é provável que encontre o instrutor a beber um café na esplanada do Kwenda Rocks.

Quando a maré está cheia, a única  forma de chegar ao The Rock é de barco
Quando a maré está cheia, a única forma de chegar ao The Rock é de barco

Ali mesmo, em Nungwi, seguimos viagem para um dos dois locais que permitem ver tartarugas marinhas de perto. Escolhemos o Mnarani Aquarium, onde uma equipa de biólogos e de especialistas em conservação marinha nos explicam como resgatam e salvam as tartarugas apanhadas em redes de pesca: as bebés estão protegidas dentro de um alguidar grande; com as maiores pode nadar na piscina natural.

No nosso caso, o Francisco preferiu conviver com elas sentado num caiaque transparente, que fizemos deslizar pela água. Lá dentro estava um balde cheio de algas, um isco para as tartarugas, que vinham ter connosco em busca de comida. Todos os anos, no dia 20 de fevereiro, as que já ali passaram tempo suficiente são devolvidas às praias onde foram resgatadas.

A 30 quilómetros de Nungwi, a partir da praia de Matemwe, há outro ponto famoso de snorkeling, talvez o mais popular de Zanzibar - a ilha privada de Mnemba, que só conseguirá pisar se fizer uma reserva no luxuoso lodge da ilha, com quartos duplos a rondar os 2 mil euros por noite. Para os restantes viajantes, como nós, o melhor é apanhar um barco e explorar o mar que a rodeia - é por ali que costumam ser avistados golfinhos.

Ainda que a viagem o possa obrigar a fazer cedências: se em Portugal não deixava o Francisco ouvir o Vai no Cavalinho, ali as colunas do barco tocaram a música, a criança achou graça, e foi um repeat infindável - neste caso com mar batido e golfinhos à vista, mas sem ser possível nadar tranquilamente ao pé deles, como acontece em dias de maior sorte.

Se chegar de barco  a Stone  Town, esta é a vista que terá  da zona histórica da capital
Se chegar de barco a Stone Town, esta é a vista que terá da zona histórica da capital

E porque nem só de mergulhos se faz Zanzibar, a meio da semana decidimos visitar Stone Town, o centro histórico da capital, a cidade de Zanzibar. Nas suas ruelas estão os mais bonitos palácios e edifícios que avistámos durante a viagem, muitos construídos no século XIX, quando Zanzibar City era um importante entreposto comercial. Repare nas portas de madeira - quanto maiores e mais trabalhadas, maior a fortuna dos seus proprietários. O mais importante palácio é o de Beit-al-Ajaib, mandado construir pelo segundo Sultão de Zanzibar - foi o primeiro edifício da África Oriental a ter eletricidade e elevador e está atualmente a ser restaurado.

Continuamos a percorrer as ruas e encontramos o antigo forte de Zanzibar, começado a construir por portugueses no século XVI; um mercado onde se vende de tudo, de peixe a peças de carros em segunda mão; e o Freddy Mercury Museum, dedicado ao cantor que ali nasceu e viveu até aos 9 anos.

No aquário de  Mnarani, onde pode nadar com  tartarugas
No aquário de Mnarani, onde pode nadar com tartarugas

A partir de Stone Town apanhamos um tradicional barco de madeira para a Prison Island (ou Changuu Island), que em tempos foi prisão para escravos e agora alberga um santuário de tartarugas gigantes. São, neste momento, mais de 100, todas descendentes das primeiras quatro oferecidas pelo governador das Seychelles ao seu congénere de Zanzibar.

De Prison Island seguimos para Nakupenda, um incrível banco de areia no meio do mar. A areia fina, o mar azul-turquesa, e o marisco que se come ali só têm um defeito - atraem sempre demasiados turistas. Como aliás acontece na maior parte da ilha, em tempos um paraíso deserto.