Bélgica vai abater 4.000 porcos para evitar peste suína

Lusa 24 de setembro de 2018
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Bélgica prevê abater 4.000 porcos saudáveis para evitar qualquer contaminação das pecuárias pelo vírus da peste suína africana, numa medida "inédita".

A Bélgica prevê abater nos próximos dias 4.000 porcos saudáveis para evitar qualquer contaminação das pecuárias pelo vírus da peste suína africana, uma medida radical "inédita", afirmou hoje o seu ministro da Agricultura, Denis Ducarme.

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O governante belga falou à agência noticiosa francesa AFP sobre as medidas que o seu executivo vai adoptar para combater a doença, durante uma visita a Lichtenegg, a sul de Viena, por ocasião de uma reunião ministerial da União Europeia (UE) realizada na Áustria.

"Vamos fazer tudo para que o sector de criação de porcos não seja atingido. Por isso, pedi à minha agência de segurança alimentar para pôr em acção os dispositivos que visam o abate da totalidade dos porcos domésticos situados na zona afectada", declarou.

Como se trata de uma área pouco povoada, estão em causa apenas 4.000 porcos domésticos, de um total de seis milhões de porcos existentes na Bélgica, referiu.

O ministro explicou que é necessário que o Governo tome "medidas úteis" com a concordância e o apoio da Comissão Europeia, que "se comprometeu a reconhecer a medida como sendo de carácter sanitário, o que permitirá dar mais apoio aos criadores que estão a viver uma verdadeira catástrofe".

Neste momento, prosseguiu, "a indústria da carne de porco na Bélgica é completamente saudável, não há qualquer elemento que indique que o porco está contaminado".

Denis Ducarme indicou que "a Comissão Europeia vai financiar 50% desta medida, adoptada pela primeira vez na Europa.

"É verdade que é inédita na Europa uma medida como esta que estamos a tomar: a eliminação de porcos saudáveis", observou.

Acrescentou, porém, que o país está a trabalhar juntamente com a Comissão Europeia nesta questão, mas também com o conjunto dos Estados vizinhos: as agências de segurança alimentar trabalham com absoluta transparência, com troca de informações.

"Nós pusemos em prática, no caso do Fipronil (a crise dos ovos contaminados ocorrida no verão de 2017) agentes de ligação: são os nossos chefes veterinários que comunicam sobre todos os elementos do dossier. Queremos que os países vizinhos disponham de toda a informação que lhes possa ser útil. Penso que está a correr bem", comentou.
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