Membros do Chega entraram indevidamente nas instalações da Associação Académica de Coimbra, de onde estão proibidos de entrar.
A Associação Académica de Coimbra (AAC) vai avançar com queixa junto do Ministério Público por causa da invasão do estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC) por um grupo do Chega, liderado pelas deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro.
Associação Académica de Coimbra acusa Chega de desrespeitar soberania da instituiçãoPAULO NOVAIS/LUSA
Em conferência de imprensa realizada ao final da tarde desta terça-feira, o presidente da direção-geral da AAC, José Machado, afirmou que aquela entidade vai avançar com uma queixa junto do Ministério Público, considerando que a invasão e consequente interrupção da emissão da RUC, na segunda-feira de manhã, foi "um flagrante atentado à liberdade de imprensa".
Em reação às declarações do presidente do Chega, que veio defender o ato praticado por Rita Matias e restante grupo de apoiantes e militantes, José Machado considerou que André Ventura mostrou "um claro sinal de desrespeito para com a comunicação social".
Nesse sentido, o presidente da AAC apelou ao Chega para que se retrate publicamente da posição hoje assumida e garanta que, "em momento algum, voltará a interferir no normal trabalho de qualquer órgão de comunicação social, em estreito cumprimento e respeito pelo direito à liberdade de imprensa".
A AAC convocou ainda uma concentração junto ao edifício da associação, pelas 09:00 de quarta-feira, apelando à participação de estudantes e dirigentes de todas as academias "de norte a sul do país, de esquerda ou de direita", para que se unam "em prol da defesa de um princípio basilar, a liberdade de imprensa".
"Não podemos aceitar que este ato passe sem consequências ou que seja branqueado", vincou.
José Machado notou ainda posições distintas dentro do partido, recordando que, se Rita Matias, em declarações ao jornal local Notícias de Coimbra, falou de invasão, hoje André Ventura alegou que falar em invasão "é uma coisa ridícula".
A deputada do Chega afirmou também ao jornal Diário As Beiras, igualmente de Coimbra, que aquela ação "foi a invasão mais fácil da história da democracia portuguesa".
O presidente da AAC considera que a Assembleia da República deverá também analisar o quadro sancionatório face ao comportamento das duas deputadas.
Face à invasão ocorrida na segunda-feira, José Machado afirmou ainda que a AAC irá reforçar a segurança do edifício, nomeadamente à hora do programa de debate da RUC que foi interrompido.
Para José Machado, a decisão, aprovada por larga maioria em assembleia magna em fevereiro, de proibir a participação do Chega em eventos da AAC ou de estar nas suas instalações, sai reforçada após este episódio.
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