Para o sindicato, a invasão "é um ato hostil, logo configura uma agressão, que é punível por lei".
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) repudiou esta terça-feira a invasão por membros do Chega do estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), considerando que o ato configura um crime, esperando abertura de inquérito pelo Ministério Público.
Associação Académica de Coimbra acusa Chega de desrespeitar soberania da instituiçãoPAULO NOVAIS/LUSA
"O Sindicato dos Jornalistas repudia o inaceitável e antidemocrático ato de um grupo de cerca de 30 pessoas, liderado por duas deputadas do Chega, que invadiu a redação da Rádio Universitária de Coimbra, insultaram e atemorizaram estudantes, funcionários e jornalistas e obrigaram a cessar uma emissão em direto", afirmou, em comunicado enviado à agência Lusa.
Para o SJ, a invasão, que decorreu na manhã de segunda-feira, "é um ato hostil, logo configura uma agressão, que é punível por lei".
No comunicado, o Sindicato dos Jornalistas mostra-se convicto de que não será necessário apresentar queixa "para que o Ministério Público proceda de acordo com a legislação, porque invadir a redação de um OCS [órgão de comunicação social] é não só um ato hostil como um ato extremamente grave contra a democracia".
Face à atuação do Chega, num ato liderado pelas deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, o SJ vai "escrever à Polícia de Segurança Pública a perguntar que medidas tomaram para proteger as pessoas que estavam na redação da RUC e se foi identificado o grupo invasor".
O SJ defende "medidas exemplares", temendo que a atuação na segunda-feira tenha sido "um balão de ensaio e que o caso se repita sempre que elementos deste partido, ou de outro, se sintam injustiçados".
"Não podemos tolerar invasões a redações, intimidações a jornalistas ou qualquer outro tipo de violência. Não são comportamentos dignos numa sociedade democrática", vincou.
O Sindicato dos Jornalistas espera ainda para ver se a Comissão de Integridade da Assembleia da República "vai tomar alguma medida em relação às duas deputadas, que menorizaram e desrespeitaram o importante papel que deve caber aos deputados na sociedade portuguesa".
Vários membros do Chega, incluindo as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, invadiram na manhã de segunda-feira o estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), em protesto contra a proibição da Associação Académica de Coimbra de entrada no edifício.
No estúdio da RUC, que se situa no edifício da Associação Académica de Coimbra (AAC), decorria um novo programa de debate político, em que participariam as várias juventudes partidárias dos partidos com assento na Assembleia da República.
O Chega também tinha sido convidado a participar no novo programa, mas de forma remota, face à decisão, aprovada em assembleia magna em fevereiro, de proibição de participação do partido liderado por André Ventura em eventos da AAC e de entrada nas suas instalações, contou à agência Lusa Jaime Raposo Nunes, do Departamento de Informação da RUC.
O locutor disse que o líder da distrital do partido, Paulo Seco, tinha dado indicação de que o partido não estaria presente no programa, mas, na manhã de segunda-feira, o debate acabou interrompido, com a entrada de vários elementos do Chega, com Rita Matias a pegar num dos microfones do estúdio.
Os elementos do Chega, incluindo as duas deputadas, apenas abandonaram o estúdio quando chegaram três agentes da PSP, disse Jaime Raposo Nunes.
O Movimento Associativo Estudantil (MAE) endereçou hoje uma carta dirigida ao presidente do Chega, André Ventura, questionando o líder partidário sobre a invasão do estúdio da Rádio Universidade de Coimbra por uma comitiva liderada por duas deputadas do partido.
O MAE, em nova das várias associações académicas e federações, condenou a invasão, considerando que poderá tratar-se de um atentado contra a liberdade de programação e informação, consagrada na legislação portuguesa.
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