Venezuela: Ativista Rocio San Miguel regressa ao país
San Miguel regressou à Venezuela no âmbito dos processos judiciais ainda em curso relacionados com o seu caso, que levou à sua detenção em 2024, segundo num comunicado divulgado pela família na quarta-feira.
A advogada e ativista venezuelana Rocio San Miguel, libertada após a captura de Nicolás Maduro e exilada em Espanha, regressou ao seu país, onde enfrenta acusações de "terrorismo", anunciou a sua família.
Uma das presas políticas mais conhecidas do país, Rocio San Miguel foi uma das primeiras a ser libertada, em janeiro, logo após a captura de ex-líder venezuelano Nicolás Maduro em Caracas por forças dos Estados Unidos.
As autoridades levaram-na diretamente ao aeroporto para apanhar um avião para Espanha, país do qual também é cidadã.
Especialista militar e diretora da ONG Control Ciudadano, San Miguel regressou à Venezuela no âmbito dos processos judiciais ainda em curso relacionados com o seu caso, que levou à sua detenção em 2024, segundo num comunicado divulgado pela família na quarta-feira.
"Esta decisão responde ao seu desejo de reencontrar a família e de acompanhar pessoalmente o desenrolar e o encerramento desta fase, na esperança de que a situação jurídica possa ser resolvida de acordo com a lei e de forma definitiva", acrescenta a nota.
A advogada da ativista, Theresly Malavé, confirmou à agência de notícias francesa AFP o regresso de San Miguel à Venezuela, mas adiantou que esta está proibida de falar à imprensa.
Rocio San Miguel foi detida a 09 de fevereiro de 2024 na zona de imigração do aeroporto de Caracas, quando estava com a sua filha, Miranda Diaz, que também foi detida por pouco tempo e se encontra em liberdade condicional.
A detenção de San Miguel ocorreu cinco meses antes das presidenciais venezuelanas de julho de 2024, nas quais foi declarado vencedor Nicolas Maduro, num processo eleitoral que a oposição e os países ocidentais denunciaram como fraudulento.
Cerca de 2.400 pessoas foram detidas e 28 mortas durante a repressão dos protestos pós-eleitorais.
As autoridades venezuelanas acusavam San Miguel de estar envolvida num alegado plano para assassinar Maduro, ao que a sua defesa sempre negou.
O governo Maduro fazia regularmente referência a conspirações reais ou imaginárias.
Após a captura de Maduro, a 03 de janeiro deste ano, as autoridades venezuelanas libertaram centenas de prisioneiros e promulgaram uma lei de amnistia, considerada insuficiente por muitas ONG.
O governo, agora liderado pela Presidente interina Delcy Rodriguez, afirma que há cerca de 8.000 beneficiários da amnistia, em vigor desde fevereiro, mas a maioria não estava presa, apenas sujeita a processos judiciais.
A ONG Foro Penal estima que, a 25 de maio, estavam ainda atrás das grades 409 prisioneiros políticos.