Netanyahu planeia reduzir "a zero" ajuda militar que Israel recebe dos EUA em 10 anos
Os Estados Unidos entregam anualmente 3.800 milhões de dólares a Israel em ajuda militar, mas esses fundos, aprovados pelo Congresso norte-americano, enfrentam um escrutínio cada vez maior devido à guerra lançada pelos israelitas contra a Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que planeia reduzir "a zero" a ajuda militar que Israel recebe dos Estados Unidos (EUA) num prazo de dez anos.
"Quero reduzir a zero o apoio, a componente financeira da cooperação militar que temos, porque recebemos 3.800 milhões de dólares por ano (cerca de 3.230 milhões de euros, ao câmbio atual)”, disse Netanyahu numa entrevista à estação CBS, que será transmitida na íntegra esta noite nos EUA.
Na fase inicial da entrevista ao programa “60 Minutes”, o jornalista Major Garrett pergunta ao líder israelita se planeia reconsiderar a relação financeira entre Israel e os Estados Unidos e, em concreto, os fundos que o Estado hebraico recebe do seu reconhecido aliado.
"Claro. Eu disse isso ao Presidente (Donald) Trump, disse isso também ao nosso povo. Ficaram boquiabertos", respondeu Netanyahu, para depois especificar que procura acabar com essa dependência financeira.
"Acho que é hora de nos desacostumarmos do apoio militar que ainda resta", acrescentou.
Questionado sobre os prazos, Netanyahu afirmou que a sua ideia é eliminar esse financiamento gradualmente "ao longo da próxima década".
"Quero começar agora, não quero esperar pelo próximo Congresso. Poderia diminuir muito rapidamente", acrescentou.
Os Estados Unidos entregam anualmente 3.800 milhões de dólares a Israel em ajuda militar, mas esses fundos, aprovados pelo Congresso norte-americano, enfrentam um escrutínio cada vez maior devido à guerra lançada pelos israelitas contra a Faixa de Gaza e à redução, em geral, da ajuda externa norte-americana.
Noutro ponto da entrevista, Netanyahu também declarou que a guerra no Irão, iniciada a 28 de fevereiro, "conseguiu muito, mas não terminou", e fez referência ao urânio enriquecido no país persa e às infraestruturas relacionadas, que "devem ser desmanteladas".
Afirmou que a solução para a questão do urânio é "ir e tirá-lo" do Irão, e que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lhe disse que quer "ir lá", possivelmente através de um acordo, e que essa é "uma missão tremendamente importante".