Irão: Teerão garante que exportações de petróleo continuam apesar de sanções
Ministério do Petróleo iraniano criou há vários anos mecanismos para contornar as sanções norte-americanas.
O ministro do Petróleo do Irão, Mohsen Pakneyad, afirmou esta terça-feira que as exportações de crude do país "continuam normalmente", apesar de os Estados Unidos terem reativado as sanções petrolíferas e restabelecido o bloqueio naval à República Islâmica.
"Apesar do cancelamento da isenção [das sanções] de 60 dias, as exportações de petróleo do Irão continuam normalmente e não se esperam problemas nesta área", escreveu Pakneyad no seu canal de Telegram.
O ministro indicou que o Ministério do Petróleo iraniano criou há vários anos mecanismos para contornar as sanções norte-americanas e que estas estruturas nunca foram desmanteladas, nem mesmo durante o período em que a isenção temporária esteve em vigor.
De acordo com a cláusula 10.ª do memorando de entendimento assinado por Teerão e Washington em meados de junho -- que determinou o cessar-fogo -, os Estados Unidos comprometeram-se a suspender as sanções ao petróleo iraniano por um período de 60 dias, durante o qual ambas as partes negociariam um acordo de paz definitivo.
No entanto, Washington revogou, na semana passada, a licença que suspendia temporariamente estas sanções, em resposta ao que considerou serem ações "totalmente inaceitáveis" de Teerão no estreito de Ormuz, após vários ataques a navios que transitavam por aquela via navegável.
"Os norte-americanos, seguindo a sua prática habitual, não cumpriram os seus compromissos e, na prática, violaram o artigo 10.º do memorando de entendimento referente às isenções de 60 dias", afirmou o ministro iraniano.
Na segunda-feira à noite, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou também a retoma do bloqueio naval contra a República Islâmica a partir de hoje, uma prática que já tinha implementado entre meados de abril e junho em resposta ao encerramento do estreito de Ormuz pelo Irão após o início da guerra, a 28 de fevereiro.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, reconheceu recentemente que, durante o bloqueio anterior, as exportações de petróleo do Irão estiveram praticamente paralisadas.
A retoma do bloqueio naval acontece numa altura de crescente tensão entre os dois países devido aos ataques iranianos contra navios no estreito de Ormuz e aos ataques dos EUA contra alvos militares no sul do Irão.
Em resposta, o Irão lançou mísseis e drones contra bases militares norte-americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia, entre outros países.