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Governo considera que relações transatlânticas "sofreram abalos" e organizações de segurança "estão mais fracas"

Lusa 09 de abril de 2026 às 15:25

A "consistência das relações transatlânticas sofreu abalos e organizações clássicas de segurança estão hoje as mais fracas, enquanto pretensões ressuscitadas de domínio ameaçam a estabilidade mundial", referiu Nuno Melo.

O ministro da Defesa admitiu esta quinta-feira, na Batalha, que as relações transatlânticas "sofreram abalos" e que as "organizações clássicas de segurança estão mais fracas, enquanto pretensões ressuscitadas de domínio ameaçam a estabilidade mundial".

Nuno Melo aborda relações transatlânticas e segurança global PAULO NOVAIS/LUSA

Falando durante a celebração do Dia do Combatente e 108.º aniversário da Batalha de La Lys, junto ao Mosteiro da Batalha, Nuno Melo constatou que o "mundo está mais perigoso".

"Vivemos momentos de grande incerteza e de imprevisibilidade no contexto geopolítico", apontou, ao referir que a "consistência das relações transatlânticas sofreu abalos e organizações clássicas de segurança estão hoje as mais fracas, enquanto pretensões ressuscitadas de domínio ameaçam a estabilidade mundial".

O governante alertou que os "sinais estão todos aí", exemplificando com a guerra na Ucrânia, "iniciada pela Rússia" que "persiste e internacionalizou-se".

"A situação política e militar no Médio Oriente agravou-se, com impactos na economia global. A China confirma-se como potência global. Os Estados Unidos têm uma parte substancial da sua atenção estratégica centrada no Indo-Pacífico", referiu.

Quando assim sucede, e "a ordem estabelecida em consenso os saídos da Segunda Guerra Mundial se alterou drasticamente", Nuno Melo defendeu que "investir no pilar europeu de defesa da NATO e nas Forças Armadas é simplesmente um ativo de lucidez, mas um ativo de lucidez que desempenhamos a pensar na paz e não na guerra".

"Estamos a fazê-lo em Portugal" ao investir "nos militares, nos homens e nas mulheres das Forças Armadas, em infraestruturas e em equipamentos".

Segundo o governante, o Governo está a realizar "um dos maiores investimentos conjugados em equipamentos nos três ramos das Forças Armadas, em democracia", com a "mobilização de 5,8 mil milhões de euros do Programa Europeu Safe".

Nuno Melo lembrou todos os militares que estão em missão "todos os dias cá dentro em auxílio às populações e longe, no estrangeiro, defendendo a paz e a liberdade e enfrentando condições adversas e perigos reais ao serviço de Portugal", não esquecendo as "famílias que são chamadas a partilhar as ausências e a saudade".

O ministro da Defesa destacou ainda a importância de Portugal ter "mais memória" e recordar "aqueles que serviram à pátria pela qual juraram morrer, se necessário fosse".

"Aqueles que, tal como em La Lys, combateram em África e na Índia. Portugueses de muitas cores, portugueses de muitos credos, unidos por uma bandeira. Os antigos combatentes são heróis de Portugal", frisou.

Após a cerimónia, o Presidente da República, António José Seguro, que realiza a Presidência Aberta na região, e Nuno Melo deslocaram-se junto ao túmulo do Soldado Desconhecido, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, distrito de Leiria para a deposição de uma coroa de flores.

O Dia do Combatente é celebrado anualmente no dia 9 de abril, para que estes sejam relembrados, homenageados e agraciados pelo esforço prestado no cumprimento do serviço militar.

Contudo, o Estado, através do Ministério da Defesa Nacional, pode evocar a memória e feitos dos antigos combatentes no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades (10 de junho) e no dia 11 de novembro, data em que se comemora o fim da Primeira Grande Guerra, em colaboração com a Liga dos Combatentes e as associações de antigos combatentes.

Atualmente é realizada esta cerimónia no Mosteiro da Batalha, em Leiria, que assinala esta data e o aniversário da Batalha de La Lys, travada em 1918 e na qual participaram militares portugueses.

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