Retratos Políticos III - Aníbal Cavaco Silva
"Chamamos-lhe destino ou fado. Eu, que durante 30 anos tinha lutado por uma carreira como economista e como professor universitário, era agora o líder do segundo maior bpartido português."
"Chamamos-lhe destino ou fado. Eu, que durante 30 anos tinha lutado por uma carreira como economista e como professor universitário, era agora o líder do segundo maior bpartido português."
A maior parte das pessoas via em mim a fêmea, o corpo, só depois percebiam que eu tinha ideias, talento. Isso maçava-me muito. Revoltava-me."
"A noite em que decidimos fazer a greve académica, num quadro ditatorial e repressivo, é inesquecível. É um salto no desconhecido. Achei que tinha de ajudar a mudar isto. Tornou-se inseparável do sentido da minha vida."
O jornalista e escritor Joaquim Vieira esteve no NOW para falar sobre o projeto “Retratos Políticos III” da revista Sábado, que reúne quatro obras dedicadas a figuras incontornáveis da vida política e cultural portuguesa. Falou na natureza 'ousada' do seu percurso, desde a fundação do jornal Expresso durante a ditadura até ao seu papel como primeiro-ministro após a morte de Sá Carneiro.
"Podem desde já, ser criadas condições para se avançar na libertação da sociedade civil, perante um Estado por vezes arbitrário, quase sempre lento e nem sempre competente."
Primeiro volume, dedicado a Francisco Pinto Balsemão, está disponível já hoje.
"Houve uma primeira fase em que, com o país demasiado virado à esquerda, acentuei sobretudo valores de direita e uma segunda fase em que, julgando eu que o país estava demasiado à direita, acentuei sobretudo valores à esquerda."
"Não estigmatizem o 25 de novembro. É a continuação do 25 de abril. É a reafirmação das promessas feitas pelos militares à população portuguessa.
"Eu sou o meu próprio antepassado. Inaugurei uma disnatia. Humberto Delgado há só um. Mas vocês vão-me continuar. É esse o significado do meu destino. Não é para trás. É é para a frente"
"Que cada português se mantenha em paz, confie na força do voto secreto, a grande arma democrática dos homens ordeiros e livres, e jamais consita que a sua consciência seja violada."
O jornalista e escritor é autor do segundo volume dos Retratos Políticos, dedicado a António de Spínola, "figura fundamental" para compreender o 25 de Abril.
"Recuso-me a aceitar que sejamos assim, que o nosso povo tenha por natureza de ficar eternamente sujeito ao paternalismo de um homem, de um sistyema ou de uma classe."
"Quando, sendo preso, o militante suporta as torturas mais bestiais, demonstra que se a resistência física tem um limite que é a morte, a resistência moral do comunista, essa nada pode vencê-la"
"Chego ao fim da vida tendo perdido a pátria, valores morais e materiais, sonhos, ideais, aspirações...Que poderia querer mais?"
"Oiço muitas vezes dizer aos homens da minha aldeia: "Gostava que os pequenos soubesses ler para os tirar da enxada". Eu gostaria bem mais que eles dissessem: "Gostaria que os pequenos soubessem ler para poderem tirar melhor rendimento da enxada".
Os defeitos e os segredos de Salazar, os jogos políticos, o apego ao poder, as comparações com o regime de Franco em Espanha. Joaquim Vieira escreveu a biografia de Salazar, que sai gratuitamente com a SÁBADO, e fala sobre o ditador, que considera "um génio político" - só assim se explica que tenha ficado 40 anos no poder -, abordando ainda as comparações com o Chega e com André Ventura.