Valentina foi torturada e deixada a sofrer no sofá 13 horas

Eduardo Dâmaso , Tiago Carrasco 10 de novembro de 2020

Valentina foi agredida e deixada 13 horas no sofá, enquanto o pai foi às compras com a madrasta. O Ministério Público acusou Sandro e Márcia de homicídio qualificado e profanação de cadáver. Recorde a investigação da SÁBADO


O pai e madrasta de Valentina foram acusados pelo Ministério Público de homicídio qualificado e profanação de cadáver e abuso e simulação de sinais de perigo. Em Maio, a SÁBADO investigou o caso e revelou todas as suspeitas sobre a morte da criança. Recorde o trabalho publicado na edição 837 de 14 de maio.

O inferno de Valentina começou uma semana antes da sua morte – dia em que foi espancada e torturada pelo pai com a colaboração ativa da madrasta. De acordo com o despacho de indiciação do Ministério Público (MP), a que a SÁBADO teve acesso, as agressões à menina de 9 anos tiveram início, na realidade, a 1 de maio por um motivo: Sandro Bernardo suspeitava que a filha estaria envolvida em atos sexuais com colegas da escola e era vítima de abusos por parte de um homem a quem tratava por "padrinho". E decidiu tirar tudo a limpo. À força.

A primeira vez que confrontou Valentina com as suspeitas foi na tarde de 1 de maio. De acordo com o MP, Sandro julgava que a filha andava a trocar "papelinhos com os colegas de escola cujo conteúdo indicava que ela permitia que os colegas lhe mexessem no pipi". Valentina admitiu "a autoria dos papelinhos" e nessa mesma manhã, na presença de Márcia, o homem "desferiu diversas palmadas, com muita força" no rabo e nas pernas da filha, "de tal forma que ficou dorido na mão".
Mas o pior estava para vir. Sandro foi para o quarto e Valentina ficou na cozinha com a madrasta a fazer os trabalhos da escola. Algum tempo depois, Márcia foi ter com o marido e disse-lhe que a criança "tinha algo mais" para lhe contar. Segundo o MP, foi quando Valentina revelou ao pai e à madrasta que "dava uns beijinhos a uma pessoa que nomeou como ‘padrinho’ e que ia muitas vezes a casa do mesmo, o qual lhe dava presentes para lhe mexer no pipi e para ela mexer no pipi dele". A reação de Sandro foi desferir novamente várias palmadas "no rabo e nas pernas da filha".

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