Vacinação dos professores "não é prioritária e pode ser adiada”

A vacinação dos professores do pré-escolar e do ensino primário continua no próximo fim de semana, mas os especialistas consideram que a prioridade não deveria ser definida pela categoria profissional. "Faz sentido gerir por idades e por comorbilidades", defende o virologista Pedro Simas.

Os alunos dos 2º e 3º ciclos trocam esta segunda-feira o ensino à distância pelo presencial e, além dos milhares de estudantes que regressam às aulas, contam-se também milhares de professores e funcionários. Este é mais um passo no desconfinamento, ficando a faltar apenas os estudantes do ensino secundário. Por agora, continua o plano de testagem em massa nos estabelecimentos de ensino e, no próximo fim de semana, serão vacinados os restantes professores e funcionários do pré-escolar e primeiro ciclo. 

Há, no entanto, várias dúvidas em relação aos critérios de vacinação dos docentes e não docentes, que foram inseridos no plano nacional de vacinação contra a covid-19 mais tarde, já depois de definidos os grupos prioritários em cada fase. Aliás, a 15 de janeiro deste ano, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, defendeu numa audição por videoconferência na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia que os professores não deveriam ser incluídos nos grupos prioritários pela sua atividade profissional. "Independentemente de serem trabalhadores em escolas, são pessoas com determinado grupo etário e determinados fatores de risco. Portanto, serão vacinados de acordo com esse risco, uma vez que pela profissão não têm um risco acrescido", disse Graça Freitas. Apesar desta consideração, dois meses depois, os professores e funcionários estavam a ser vacinados. 

Esta justificação dada por Graça Freitas é dada também, aliás, pelo virologista Pedro Simas. À SÁBADO, o investigador do Instituto de Medicina Molecular, defendeu que "a introdução de pessoas que não são de alto risco ou de risco médio, com base na sua profissão, não é prioritária neste momento e pode ser adiada". Além disso, "do ponto de vista científico, não faz muito sentido".

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