Um debate sério chamado eutanásia

Com o dia do debate parlamentar sobre a morte medicamente assistida a aproximar-se, a SÁBADO publica em exclusivo os testemunhos de Rui Rio e Paulo Otero sobre o tema.


Eutanásia
Dia 29 de Maio  será, expectavelmente, um dia importante para a sociedade portuguesa: a Assembleia da República irá discutir a possibilidade da despenalização da eutanásia em Portugal. A votação será feita de forma nominal (ou seja, deputado a deputado) e ainda não há indicações se haverá disciplina de voto. 
O tema não é novo e, já há alguns anos, que está a ser discutido em certos círculos da sociedade portuguesa: este processo começou, politicamente, com a entrega de uma petição do movimento cívico "Direito a morrer com dignidade" ao Parlamento, em Fevereiro de 2017 – no documento estavam reunidas 8.690 assinaturas. Outra petição, desta vez contra a morte medicamente assistida, chegou ao Parlamento um mês antes. Tinha como título "Toda a vida tem dignidade" e juntou 14.196 assinaturas.

Desde o ano passado que partidos como o BE e PAN se manifestaram a favor da eutanásia. Uma decisão que culminou com a entrega de três projectos-lei  no dia 27 de Abril dos partidos BE, PAN e PS, numa posição conjunta pouco comum. São estes projectos que serão discutidos no Parlamento no final do mês - e espera-se que se tornem um primeiro momento de uma decisão final sobre o tema.

Pode dizer-se que o debate provoca posições dicotómicas na sociedade e já foram criados alguns projectos que se assumem de um ou do outro lado da questão. Um exemplo é o livro Morrer com dignidade – a decisão de cada um da editora Contraponto. A obra, com organização do médico e político do Bloco de Esquerda João Semedo, será editada a 25 de Maio. "O que é a eutanásia/ morte assistida?", "O que são cuidados paliativos?", "O que significa distanásia e obstinação terapêutica?" são algumas das perguntas a que este livro tenta responder, de uma forma clara e objectiva, com o objectivo principal de conseguir com que o leitor compreenda holisticamente a questão da eutanásia, insistindo num simples ponto: "Ninguém é obrigado e ninguém é impedido, o único critério é escolha de cada um", segundo João Semedo.

Além de almejar tornar-se um guia prático para todas as perguntas sobre o tema que possam surgir e dar a conhecer a realidade actual do País relativamente à mesma, a obra reúne testemunhos de personalidades de diversas áreas sobre a morte medicamente assistida, como os de Edite Estrela, Francisco George, Francisco Louçã, André Silva (PAN), entre outros. O livro tem prefácio do médico Gilberto Couto e posfácio da jornalista da SÁBADO Lucília Galha. É o testemunho em Morrer com dignidade – a decisão de cada um do presidente do PSD, Rui Rio, que a SÁBADO apresenta em exclusivo.

Para o presidente do PSD, Rui Rio, "no caso concreto da eutanásia, é tão válida e defensável a vontade dos que, em consciência, pretendem terminar os seus dias na paz e na dignidade das suas próprias vidas, como a vontade daqueles que querem levar ao extremo do possível o prolongamento da sua existência, tanto quanto a natureza ou a ciência médica o permitam. Até porque nascemos com o «direito» a pôr termo à vida". "É da natureza da nossa própria existência", disse num texto de opinião publicado em exclusivo pela SÁBADO aqui

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