SIRESP é obsoleto e vulnerável "às catástrofes que pretende socorrer"

Alexandra Pedro 12 de outubro de 2017

Relatório da Comissão Técnica Independente aponta falhas à rede de comunicações de emergência e faz até um apelo para haver um upgrade na tecnologia utilizada.

O não funcionamento de cinco antenas da rede SIRESP e o congestionamento da rede de emergência nacional são criticados no relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios entre 17 e 24 de Junho, que reconhece que esta situação "não pode ser admitida numa rede que necessita de garantir comunicações entre os diversos pontos de decisão, muitos deles distantes centenas de quilómetros". A sua desactualização também é apontada no relatório:  "Portugal não deve continuar a basear as suas comunicações em sistemas que, como se viu, são vulneráveis às catástrofes que pretende socorrer." 

"É expectável que as diferentes tipologias de emergências, como por exemplo os terramotos, as inundações ou os incêndios, exijam uma estrutura de emergência flexível e móvel, que permita acorrer aos diversos pontos que necessitam de socorro. Não podemos esperar que as emergências ocorram nos locais em que existam comunicações", atenta o documento, recordando que o sistema SIRESP se baseia em 550 estações fixas e em duas estações móveis. 

A Comissão chega mesmo a aconselhar o Estado a melhorar o sistema, fazendo um upgrade da tecnologia TETRA (Terestrial Trunked Radio) - que suporta a rede nacional de emergência e segurança - possibilitando a capacidade 3G ou 4G, ao invés da actual (2G). "Os sistemas de comunicação de emergência em Portugal poderiam ainda aproveitar as capacidades proporcionadas pela tecnologia TETRA (2G) desde que sofressem um upgrade adequado baseado no LTE (Long Term Evolution). Ou então deveriam evoluir para sistemas de tecnologia avançada que incorpore capacidades 3G e 4G", pode ler-se no relatório.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Opinião Ver mais