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Polícia de investigação moçambicana confirma suicídio de administrador português do BCI

Lusa 20 de janeiro de 2026 às 21:47
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De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o cidadão português tirou a própria vida com recurso a instrumentos cortantes e ingestão de um veneno para ratos.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) de Moçambique confirmou esta terça-feira que o cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis se suicidou numa unidade hoteleira em Maputo, contrariando a primeira versão da polícia, de homicídio.

Pedro Reis
Pedro Reis DR

"Não houve dúvidas, do trabalho feito pela equipa técnica do Sernic, em coordenação com a medicina legal do Hospital Central de Maputo, onde também estiveram presentes os magistrados do Ministério Público, de que não havia dúvidas nenhumas, até ao presente momento, de tratar-se de um caso de suicídio, não homicídio, conforme tem-se propalado", disse Hilário Lole, porta-voz do Sernic.

De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o cidadão português e administrador do banco BCI, subsidiária em Moçambique do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do também português BPI, tirou a própria vida com recurso a instrumentos cortantes, nomeadamente facas, e ingestão de um veneno para ratos.

Anteriormente, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo, Marta Pereira, tinha dito à Lusa que a morte do cidadão português era resultado de homicídio, avançando que investigações estavam em curso, com base nas fitas de gravação do referido hotel.

"Quanto às razões, são questões que só poderemos avançar depois da investigação que se está a fazer através do comando conjunto. Mas confirmo o caso", disse Marta Pereira, acrescentando que o crime aconteceu na segunda-feira, pelas 23:46, e que se tratou de "um homicídio voluntário".

Segundo o Sernic, na segunda-feira, Pedro Ferraz Correia dos Reis saiu do seu local de trabalho às 14:00 (12:00 em Lisboa), em direção à sua casa, de onde tirou, da sua cozinha, uma faca e deslocou-se a um estabelecimento comercial, na marginal de Maputo, para adquirir, entre outros bens, mais duas facas, depois encontradas no interior da sua viatura.

De seguida, deslocou-se a outro estabelecimento, onde adquiriu o veneno para ratos, tendo sido "encontradas partes dessa substância no seu organismo, mediante aquilo que foi feito exame médico legal", referiu o porta-voz do Sernic.

A política de investigação de Moçambique diz ter em sua posse imagens que provam não só o itinerário do cidadão português desde a saída do local de trabalho até ao hotel onde veio a morrer, bem como evidências de que, chegado à unidade hoteleira, Pedro Ferraz Correia dos Reis desferiu "vários golpes" em várias partes do corpo.