Os primeiros soldados enviados por Salazar para a guerra colonial

Marta Martins Silva 20 de novembro de 2019

Foram aclamados à chegada a Luanda, mas estavam mal preparados, não tinham equipamento adequado e nem sabiam bem o que estavam ali a fazer. Os que sobreviveram partilharam as memórias com a SÁBADO.


O dia tinha acabado de nascer no porto de Luanda quando mais de dois mil soldados desembarcaram do paquete Niassa, após duas semanas no mar. Os homens pouco mais eram do que rapazes, vestiam uma farda de caqui amarela amarrotada da viagem e foram engolidos por um mundo totalmente novo e diferente do que tinham deixado para trás. Impressionaram-se com a grandeza da cidade – muitos só conheciam as aldeias onde nasceram e os quartéis onde fizeram as recrutas – com a beleza da baía caiada pela luz da manhã, com a multidão em êxtase que os saudava como heróis enquanto desfilavam, gritando ‘Vivas’ alto e bom som.

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