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Os caça-fraudes na Saúde

Bruno Faria Lopes
Bruno Faria Lopes 02 de julho de 2019 às 15:27

Recebem milhares de receitas médicas por dia e analisam-nas uma a uma em busca de burlas ao SNS. Esta terça-feira foram 11 médicos e farmacêuticos por burlas relacionadas com receitas.

Entra-se na sala e ouve-se o som que vem de todo o lado: papel. Estão 17 pessoas a virar folhas ao mesmo tempo. Não se escuta uma voz, só as receitas médicas que vêm em molhos de 30, atados por um elástico, e que deslizam entre os dedos dos funcionários. Há dezenas de elásticos espalhados em cima das mesas e mulheres com elásticos nos braços, como se fossem pulseiras. É preciso virar rapidamente as receitas, mas só depois de olhar para vários pontos com atenção e de perceber, por exemplo, se é um original ou uma fotocópia, se foi assinada pelo médico, pelo farmacêutico e pela pessoa que aviou a receita, se está rasurada. Há quem use dedais de borracha para trabalhar mais depressa. Um dos funcionários encontra uma receita rasurada - alguém escreveu "2" por cima de "1" na quantidade do medicamento - e põe-lhe um autocolante com código: a farmácia já não vai receber do Estado o valor daquela comparticipação. Outra funcionária abre um novo molho de 30 e passa por ele em cerca de 25 segundos. Em poucos minutos chegam novos lotes de receitas por ver, que vão formando uma enorme pilha.

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