O que esconde o silêncio de Moçambique sobre o caso Américo Sebastião?

Diogo Camilo com Leonor Riso 15 de junho de 2018

O empresário português desapareceu há quase dois anos e Portugal quis ajudar na investigação. Mas o país africano nunca aceitou. Salomé Sebastião não se conforma e acha que o marido está vivo.

Quando Américo Sebastião, de 49 anos, chegou pela primeira vez a Moçambique, em 1998, ficou encantado com o potencial económico que o país africano demonstrava. A sua paixão sempre foi a agricultura e a pecuária e, três anos depois, criou uma empresa nesse sector e na área da exploração florestal na província de Sofala, no centro de Moçambique.

O empresário ficou no país por razões de trabalho enquanto a sua mulher, Salomé Sebastião, cuidava dos filhos pequenos, Afonso e Rodrigo, em Portugal, onde tinham casa no Bombarral, distrito de Leiria. A família juntava-se várias vezes por ano, com visitas de ambos os lados. Américo juntou-se a sócios portugueses e moçambicanos e fez crescer as empresas que criou de produção agrícola e criação de gado.

Mas a 29 de Julho de 2016 tudo mudou. Por volta das seis da manhã, Américo Sebastião foi raptado e dado como desaparecido em Nhamapaza, também na província de Sofala, uma zona que na altura era palco de confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

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