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Motorista de TVDE acusado de violação não é caso único. Uber chegou a ser suspensa em Londres

Débora Calheiros Lourenço
Débora Calheiros Lourenço 17 de fevereiro de 2026 às 20:20
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Várias mulheres já apresentaram queixas contra motoristas de TVDE. No seguimento a Uber lançou o serviço “Women Drivers”, que dá a possibilidade de escolher motoristas femininas.

No sábado o motorista de TVDE (Transporte em Veículo Descaraterizado) acusado de violar uma cliente em Monsanto ficou em prisão preventiva. Segundo as autoridades, a violação terá ocorrido na passada quinta-feira, durante o percurso entre o trabalho e a residência da mulher. De seguida a vítima, de nacionalidade estrangeira, dirigiu-se a um serviço hospitalar e a Polícia Judiciária foi ativada, tendo posteriormente identificado e localizado o suspeito de 36 anos de idade, também estrangeiro.  

Por todo o mundo mulheres relatam casos de violência sexual em TVDEs
Por todo o mundo mulheres relatam casos de violência sexual em TVDEs Vitor Mota/ Medialivre

O motorista alterou “o trajeto, vindo a parar o carro na zona de Monsanto, num local ermo, onde consumou o crime”, referiu a PJ. O bastonário da Ordem dos Advogados, recordou num da Ordem que esta “não é a primeira vez”: “Em setembro, outra mulher adormeceu num TVDE e acordou a ser agredida”. João Massano explica que todos os dias “meio milhão de pessoas que entram num carro com um desconhecido” e que “a lei exige registo criminal limpo e proíbe condenados por crimes sexuais”. No entanto, o bastonário alerta que “entre a lei e a rua há um vazio que ninguém fiscaliza”.  

São já atingas as queixas de mulheres que foram sexualmente agredidas em TVDEs ou que se sentem inseguras ao ter de utilizar estes serviços. No seguimento a Uber anunciou, já em setembro do ano passado, que iria lançar o serviço “”. Este serviço, já disponível em Lisboa e no Porto, permite escolher a possibilidade de viajar apenas com motoristas mulheres sem qualquer custo adicional. Uma funcionalidade que já existe em mercados como França, Alemanha, Polónia, África do Sul, Argentina e Austrália.  

Anteriormente, novembro de 2024, esteve para ser lançada a Pinker, uma plataforma TVDE em que os veículos seriam conduzidos exclusivamente por mulheres. No entanto a Pinker nunca chegou a estar disponível porque o Instituto da Mobilidade e dos Transportes considerou que .  

Portugal não é caso único e ainda no início deste mês um tribunal dos Estados Unidos ordenou que a Uber pagasse cerca de 7 milhões de euros a uma mulher que acusou um motorista de a violar. Um tribunal no Arizona concluiu que a empresa era a responsável pelo comportamento do motorista – uma vez que este se encontrava a trabalhar em nome da empresa -, apesar de ter rejeitado alegações como a Uber ter sido negligente ou ter sistemas de segurança defeituosos.  

Este julgamento, iniciado por Jaylynn Dean, foi pioneiro nos Estados Unidos e existe agora um conjunto de vinte casos que vão a julgamento, além de outros 2.500 que se encontram em espera nos tribunais federais.  

Em França, relatos de situações de violência sexual praticadas por motoristas de TVDE já levaram a Uber a introduzir novos recursos de segurança. Em 2019 a hashtag UberCestOver (Uber acabou em português) conseguiu milhares de relatos nas redes sociais, na altura a empresa avançou que ia passar a suspender as contas de motoristas acusados, financiar assistência psicológica e jurídica às vítimas, desenvolvendo um sistema de troca de informações com a polícia.  

Ainda antes disso, em 2017, a Polícia Metropolitana de Londres acusou a empresa de não denunciar agressões sexuais cometidas por motoristas e a empresa chegou a ser proibida de operar na cidade. Em 2020 a empresa ganhou um recurso contra a entidade reguladora da capital britânica e teve a sua licença de circulação reposta.

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