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Ministro da Defesa diz que militares estão prontos para combater incêndios em momento "sensível"

Nuno Melo salientou que nos últimos anos as Forças Armadas têm estado empenhadas em ações de prevenção e rescaldo.

O ministro da Defesa Nacional afirmou esta quinta-feira que as Forças Armadas estão prontas não apenas para ações de prevenção, mas também combate e "deteção precoce" de incêndios, alertando para o momento "muito sensível" que o país está a viver.

Ministro da Defesa, Nuno Melo
Ministro da Defesa, Nuno Melo JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

À margem de um almoço-debate no International Club of Portugal, que decorreu num hotel no centro de Lisboa, Nuno Melo foi questionado sobre a prontidão das Forças Armadas para ajudar na vaga de calor que atravessa o país e que potencia os riscos de incêndios florestais.

Nuno Melo salientou que nos últimos anos as Forças Armadas têm estado empenhadas em ações de prevenção e rescaldo, contudo, este ano, os militares estarão também presentes em ações de combate.

O ministro da Defesa deu como exemplo a Base Aérea de Monte Real, em Leiria, onde a Força Aérea "assegura em permanência aeronaves P-3 e C-295, que estarão empenhadas na deteção precoce de incêndios" e ainda "com a utilização de um helicóptero Blackhawk já, de forma praticamente imediata, reduzindo-se os circuitos de burocracia para que tudo possa ser mais fluido e mais eficaz".

Melo afirmou ainda que "o Exército subscreveu dezenas de protocolos com autarquias" e há neste momento "muitas patrulhas que estão a percorrer o país a detetar focos de incêndio".

Questionado sobre se os meios militares estão disponíveis para intervir apenas quando os civis não forem suficientes, Nuno Melo respondeu que não, e voltou a dar como exemplo Monte Real.

"A deteção precoce feita por aeronaves P-3 ou C-295 levará a que o helicóptero Blackhawk possa sair imediatamente para o ataque sem ter de cumprir toda aquela cadeia burocrática, o que pode significar a diferença entre uma deteção precoce ou um incêndio já consolidado", sublinhou.

Nuno Melo realçou que está em causa "uma forma diferente de agir" entre entidades militares e civis nesta matéria.

"Nos últimos dois anos, alterámos a filosofia do Estado em relação à forma complementar como as Forças Armadas podem ajudar no apoio à população civil em diferentes áreas, temos mais homens, mais equipamentos, grande transversalidade, melhor organização", enumerou.

Contudo, Nuno Melo salientou que melhor fluidez nos processos "não significa que as catástrofes não aconteçam, porque acontecem".

"A situação é, de facto, muito sensível e cada pessoa tem que fazer o seu papel, cada pessoa tem que se esforçar para limpar o seu terreno, tem que fazer a sua parte, porque os poderes públicos só por si, em nenhuma circunstância poderão fazer tudo sozinhos", apelou.

O Governo declarou hoje situação de alerta devido às altas temperaturas esperadas até segunda-feira, e emitiu despachos de exceção para proibir a utilização de maquinaria em atividades agrícolas.

O primeiro-ministro justificou a situação de alerta decretada pelo Governo "devido às altas temperaturas que o país enfrenta" nos próximos dias e afirmou que irá acompanhar "ao detalhe" a evolução do estado do tempo.