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Livre acusa Governo de falta de "sentido de urgência" na resposta a catástrofes

Porta-voz do partido manifestou preocupação com a limpeza dos terrenos antes da época de incêndios.

A porta-voz do Livre acusou esta segunda-feira o Governo de "falta de sentido de urgência e responsabilidade" na resposta a catástrofes, como as tempestades na zona centro, manifestando preocupação com a limpeza dos terrenos antes da época de incêndios.

Isabel Mendes Lopes insiste na devolução do IVA de bens essenciais mas PM promete "outra via"
Isabel Mendes Lopes insiste na devolução do IVA de bens essenciais mas PM promete "outra via" ANTÓNIO COTRIM/LUSA

"Há aqui toda uma cultura de prevenção que tem de ser incorporada e que não tem vindo a ser, não tem feito parte do ADN em Portugal, e não a vemos de todo neste Governo, mesmo depois de todos os eventos que teve de enfrentar nestes dois anos de mandato, desde o apagão, incêndios, ao comboio de tempestades. Continuamos a não ver o sentido de urgência e de responsabilidade por parte do Governo, nomeadamente por parte do senhor primeiro-ministro", acusou Isabel Mendes Lopes.

A também líder da bancada do Livre falava aos jornalistas à margem da primeira ação das jornadas parlamentares do partido que arrancaram hoje na Mata Nacional de Leiria, focadas nas intempéries do início do ano e na preparação do país para eventos climáticos extremos.

Na opinião de Isabel Mendes Lopes, Luís Montenegro parece não sentir "esse peso de responsabilidade" para tomar decisões quando é necessário.

"Por isso é que não vemos a mobilização que seria necessária para fazer a limpeza das florestas, por isso é que demorámos imenso tempo para que fosse criada a agência para a recuperação [da zona centro] e depois imenso tempo para nomear quem é que estará à frente da agência, e ainda não sabemos como é que a agência vai funcionar, que recursos vai ter. Portanto, há aqui uma falta de sentido de urgência que depois tem custos muito caros para o país e para as pessoas em Portugal", criticou.

Isabel Mendes Lopes realçou que após as tempestades muitas árvores caíram, o que se traduz em "muito material combustível" e apesar de reconhecer que a limpeza dos terrenos é uma "tarefa muito difícil", acusou o executivo liderado por Luís Montenegro de não estar a esforçar-se o suficiente para atingir esse objetivo, "tanto naquela que é floresta pública, como na floresta privada".

"Não foram mobilizados os meios suficientes para o fazer e isso é algo que nos preocupa muito", sublinhou, numa visita que foi acompanhada por representantes da associação ambiental Zero e do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Isabel Mendes Lopes explicou que o objetivo do Livre ao realizar as suas jornadas parlamentares no distrito de Leiria é o de ver no terreno qual o impacto do "comboio de tempestades" passado cerca de quatro meses das intempéries, seja "na natureza, na floresta, nas habitações, nas associações que prestam serviço à comunidade, ou nas empresas".

"É um impacto multifatorial que vai demorar muito tempo, muitos anos a ser recuperado e é muito importante dar a atenção e a urgência que este assunto merece", salientou.