Lisboa tem 1.400 toxicodependentes identificados

Lusa 18 de abril de 2018
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De acordo com o diagnóstico levado a cabo, esta população é "envelhecida, a larga maioria com idade superior a 40 anos".

Um diagnóstico pedido pela Câmara Municipal de Lisboa identificou 1.400 consumidores de droga na capital "em maior risco", mas alerta para a existência de mais toxicodependentes que não tenham contacto com as equipas que elaboraram o estudo.

A Câmara Municipal de Lisboa apresenta na quinta-feira as conclusões dos "diagnósticos sobre consumos de substâncias psicoativas na cidade de Lisboa e respostas a implementar", feitos pela Associação Crescer, Associação Ares do Pinhal, o Grupo de Activistas em Tratamentos (GAT) e os Médicos do Mundo.

Em declarações à agência Lusa, o vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa, Ricardo Robles (BE), explicou que o diagnóstico incluiu uma consulta às "Juntas de Freguesia, forças de segurança, moradores e parceiros que fazem trabalho nesta área".

De acordo com um resumo ao qual a agência Lusa teve acesso, o diagnóstico permitiu estimar a existência de "1.400 consumidores em maior risco, identificados pelas equipas", mas "existe um número indeterminado de consumidores que neste momento não têm contacto com equipas".

De acordo com o diagnóstico levado a cabo, esta população é "envelhecida, a larga maioria com idade superior a 40 anos, e que apresenta do ponto de vista social um perfil de pobreza e exclusão social", sendo que são pessoas "em situação de habitação precária (sem-abrigo, em instituição de acolhimento, casa abandonada ou sem condições)".

Ricardo Robles salientou que este é um número que "preocupa muito" o município e que estas pessoas são aquelas "em quem é preciso concentrar uma resposta deste tipo, um programa de consumo vigiado".

Quanto ao padrão de consumo, as equipas verificaram "que a maioria são consumidores diários ou regulares, sendo ainda significativa a percentagem dos que referem partilhar material de consumo, o que possivelmente também está relacionado com as condições e contextos em que esse consumo é realizado".

"É de salientar que a maioria refere consumir em espaço público e sem condições de higiene e segurança: na rua, casas de banho públicas, descampados, prédios abandonados", elenca o resumo ao qual a Lusa teve acesso, acrescentando que "do ponto de vista da saúde, é uma população que apresenta elevadas prevalências para hepatite C, VIH e hepatite B, e baixos índices de tratamento destas infecções".

Os responsáveis pelo estudo identificaram ainda "uma significativa prevalência de outras complicações associadas ao consumo injectado - infecções bacterianas e danos nas veias".

Perante isto, a Câmara de Lisboa vai implementar um programa de consumo vigiado nas salas de consumo assistido que irão abrir "no final do ano, início do próximo" na Avenida de Ceuta e Lumiar, para além das unidades móveis destinadas à zona central e oriental da cidade.

O estudo aponta então que estas unidades deverão "priorizar aqueles que se encontram em maior risco, tanto do ponto de vista da saúde como social".

O documento aponta também que se espera "uma melhoria do estado de saúde deste grupo e também, de forma indirecta, de outros utilizadores que, não frequentando o programa, beneficiam se houver, por exemplo, uma redução da infecção por VIH e hepatites virais entre as pessoas que usam drogas".
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