"No parlamento e no plano legislativo, não há uma dicotomia, não há dois campos, não há só uma oposição", afirmou.
O ministro da Presidência defendeu esta quinta-feira que o espaço político vai estar nos próximos anos dividido em três blocos, "populistas, socialistas e reformistas" e rejeitou que exista inibição de direitos políticos no Governo sobre presidenciais.
Leitão AmaroMANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Na conferência de imprensa semanal após o Conselho de Ministros, António Leitao Amaro foi, por várias vezes, questionado sobre as eleições presidenciais do passado domingo e se se aplicava aos ministros algum dever de neutralidade em relação aos dois candidatos, António José Seguro e André Ventura, depois de o líder do PSD e primeiro-ministro ter dito que os sociais-democratas não dariam qualquer indicação de voto para a segunda volta.
"No Governo não há inibição de exercício de direitos políticos, há direito de reserva", afirmou, escusando-se a responder, "nesta sede", a mais perguntas sobre o tema.
Leitão Amaro lembrou que, nas últimas semanas, os ministros foram acusados até de "participar de mais" na campanha do candidato apoiado por PSD e CDS-PP, Luís Marques Mendes, que ficou em quinto lugar, com 11%, concluindo, portanto, que não existe "qualquer impedimento" de os membros do executivo tomarem partido.
A este propósito, o ministro quis deixar outra mensagem sobre a governação a partir do lugar de porta-voz do Conselho de Ministros, que classificou ser "a sede da transformação".
"No parlamento e no plano legislativo, não há uma dicotomia, não há dois campos, não há só uma oposição", afirmou.
Para o ministro, existe "um bloco na esquerda, que inclui o Bloco de Esquerda, e uma força populista, e depois há um espaço de transformação, de reforma, de moderação", admitindo que por vezes os dois "blocos da oposição" -- leia-se PS e Chega -- se aliam.
Por isso, antecipou, ao longo dos próximos "muitos meses, ou anos, até 2029" vai existir "tensão, disputa política, por vezes compromissos" entre três blocos relevanteS: o Governo com duas grandes forças na oposição
"Creio que é assim que os portugueses veem: populistas, socialistas e uma força reformista, transformadora, moderada, de centro, de centro-direita, que está a procurar mudar a vida das pessoas como estamos aqui a fazer hoje", resumiu.
Leitão Amaro diz que espaço político está dividido entre "populistas, socialistas e reformistas"
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