Sábado – Pense por si

Jorge Pinto com medo de segunda volta entre Ventura e Cotrim

Jorge Pinto apelou ao voto em si "por convicção", mas ressalvou que percebe, porque sente o mesmo, o medo dos eleitores de uma "segunda volta com um antirrepublicano e um falso liberal autoritário".

O candidato presidencial Jorge Pinto admitiu hoje ter medo de uma segunda volta nestas eleições entre André Ventura e João Cotrim Figueiredo, reiterando que percebe quem não votará por si com receio desse cenário.

Pinto teme segunda volta entre Ventura e Cotrim
Pinto teme segunda volta entre Ventura e Cotrim MARCOS BORGA/LUSA

No discurso no comício de encerramento da sua campanha, no Teatro da Luz, em Lisboa, Jorge Pinto apelou ao voto em si "por convicção", mas ressalvou que percebe, porque sente o mesmo, o medo dos eleitores de uma "segunda volta com um antirrepublicano e um falso liberal autoritário".

"Eu tenho muito medo e percebo isso também. E a essas pessoas eu digo-lhes uma coisa muito simples: eu não sou dono do vosso voto, ninguém é dono do vosso voto. E que se vocês querem votar em alguém que tem mais possibilidades de passar à segunda volta, em alguém que se reveja nesta Constituição, o vosso voto é igualmente legítimo", disse, referindo-se à carta enviada aos eleitores esta quinta-feira.

Jorge Pinto avisou os eleitores que quer votem em si ou não que no dia 19 continuará presente no debate político porque a "defesa da República vai ser feita por todos".

"Essa defesa vai mesmo ter de passar por nós. Essa vigilância cidadã, democrática e republicana vai mesmo ter de passar por nós. Porque eu também não estou confortável e tenho medo quando vejo notícias daqui de Lisboa, da capital do nosso país, de forças policiais a torturarem os mais frágeis da nossa sociedade. De agentes policiais torturarem pessoas em situação de sem-abrigo, toxicodependentes, mulheres, imigrantes", acrescentou.

Num discurso centrado em grande parte neste receio que diz identificar nos eleitores, Jorge Pinto pediu que esse medo não paralise ninguém porque será dele que virá a força para lutar pelos direitos de todos, incluindo os imigrantes, ciganos ou pessoas LGBTI+ contra o que a "extrema-direita está a fazer" em Portugal.

A segunda parte da intervenção focou-se na esperança, com o candidato apoiado pelo Livre a pedir aos presentes no Teatro da Luz que fizessem "uma promessa ao futuro do país" e defendessem Portugal de que pretende atacar a democracia.

"Do que de nós depender, a nossa democracia veio para ficar. No que de nós depender, Portugal vai ser o país que merecemos. Um país da justiça, um país da igualdade, um país da liberdade e sim, um país do amor. Fica a promessa, nós não baixaremos os braços", enfatizou.