O secretário de Estado, que discursava na sessão de encerramento da conferência "Reinventar a Floresta, Reconstruir Oportunidades", descreveu as várias políticas que estão a ser implementadas, frisando e apelando ao "empenhamento de todos".
"Tivemos cerca de 500.000 hectares ardidos em Portugal e a nossa preocupação foi a ideia de que a estabilização de emergência é uma ideia essencial para o País, isto é preservar recursos. Não nos podemos dar ao luxo de perder mais qualidade de solo. Temos de andar depressa. Não podemos continuar a permitir que o mundo da burocracia não permita agir no tempo certo em matéria de estabilização da emergência", disse Miguel Freitas.
O governante contou que no próximo dia 23 será dado "o primeiro passo para construir os contratos com as organizações de produtores florestais" e falou em "alteração profunda na relação entre o Estado e os baldios". "Não nos conformamos com a ideia de que o Estado deve sair da gestão dos baldios. Queremos apoiar uma gestão profissional dos baldios", disse.
Quanto à fileira do pinho que está, disse, "a viver momentos muito difíceis", também durante esta semana será lançado o anúncio para a abertura dos parques de madeira que permitirão, garantir preço justo aos produtores.
Segundo Miguel Freitas, o objectivo é evitar aumentar o 'gap' em termos de importação de pinho em Portugal. "Temos de dar respostas às questões mais importantes da floresta. Está a ser criada a directiva sobre protecção da floresta. Pela primeira vez não haverá fronteira entre prevenção e combate. E pela primeira vez haverá tanto dinheiro para prevenção como para o combate", descreveu.
O governante também explicou que a criação de gabinetes técnicos inter-municipais será anunciada quarta-feira, sendo que esta medida obedecerá a uma "coerência territorial", sendo objectivo "coordenar os gabinetes municipais e eleva-los à escala inter-municipal".
Por fim, Miguel Freitas apontou que a tutela vai abrir concurso para que as comunidades inter-municipais criarem Brigadas de Sapadores Florestais e enumerou outras medidas como os programas de fogo controlado ou os apoios à silvopastorícia.
Antes, o secretário de Estado ouviu o novo presidente da Forestis - Associação Florestal de Portugal, que foi quem organizou a conferência no Porto, pedir-lhe que fosse cumprido um despacho datado de 2009 que instituía o prémio nacional José Moreira da Silva.
Braga da Cruz, presidente da Forestis que tomou posse esta tarde, apelou a que Portugal tenha níveis mais elevados de floresta certificada e prometeu que a entidade que representa apostará em medidas de prevenção de incêndios e redução do material combustível, entre outros aspectos.
"A sua [dirigindo-se ao secretário de Estado] presença pode ser interpretado como de expectativa em relação ao trabalho da Forestis, mas também afirmo que saberemos denunciar aquilo que nos parecer disfuncional e prejudicial para as associações florestais", referiu Braga da Cruz.
Já o antecessor, agora ex-presidente, Francisco Carvalho Guerra, pediu mais apoios para a Forestis, apontando que só por uma vez esta associação recebeu uma verba estatal.