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Habitação: Manifestantes voltam a acampar no Porto, mas em Lisboa decidem não pernoitar

Estão cerca de 300 pessoas em cada cidade.

A assembleia popular que decorreu esta quarta-feira na Praça D. João I, no Porto, votou por voltar a acampar no local, onde desde 10 de outubro manifestantes têm reivindicado o direito à habitação e sido sujeitos a duas cargas policiais. Já no Rossio, em Lisboa, os manifestantes optaram por não pernoitar.

Manifestantes do Porto vão pernoitar na praça, de acordo com decisão tomada em assembleia popular
Manifestantes do Porto vão pernoitar na praça, de acordo com decisão tomada em assembleia popular ESTELA SILVA/LUSA

A norte, estão disponíveis pelo menos 30 tendas, além de sacos-cama. A decisão de pernoitar foi tomada numa assembleia popular que decorreu com a presença de cerca de 300 pessoas na Praça D. João I, ainda que nem todos estivessem envolvidos na votação.

Os presentes envolvidos na votação aprovaram por unanimidade a "permanência e resistência na praça", numa noite em que foi ainda aprovada a criação de um jornal, em formato digital e papel.

Os nomes sugeridos são "Estrilho", "Egoístico" e "Tendão", e nessa publicação querem ter obras artísticas e textos, com testemunhos e entrevistas a pessoas em situação de precariedade.

Durante a assembleia, foram ainda sugeridos o Teatro Municipal Rivoli e o Coliseu do Porto como local da reunião, ainda por agendar, com o presidente da câmara, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), e que a opção de pernoitar e recorrer às tendas no local passasse a acontecer apenas às sextas e sábados.

A mesa da assembleia comunicou ainda a intenção de se juntar à Acampada de Lisboa na elaboração de uma carta a fazer chegar às centrais sindicais, para apelar a uma greve geral ibérica.

Deixaram ainda um apelo a que as pessoas se associem à , em Boticas (Vila Real), em luta contra a exploração de lítio naquela região, abrindo a porta à organização de uma excursão ao local durante um dia ou vários dias.

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República.

O chefe de Estado apelou hoje ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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