A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso juntou a comunidade est sexta-feira para um bloqueio às máquinas de trabalho, na Mina do Barroso, no concelho de Boticas. O projeto de exploração de lítio tem sido fortemente criticado e combatido ao longo dos anos, estando o caso em tribunal.
A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso montou esta manhã um bloqueio aos trabalhos em terrenos baldios onde está a nascer o projeto Mina do Barroso, uma mina de lítio a céu aberto.
Mina de lítio do BarrosoDR
Em declarações à SÁBADO, Nélson Gomes, presidente da associação, reconhece que "os bloqueios são o último recurso". "Já tentámos dialogar no passado com a Savannah Resources [empresa britânica responsável pelo projeto], mas tornou-se impossível, uma vez que do outro lado o interesse foi sempre o mesmo."
Conta ainda que tem recebido muitas mensagens de apoio e força por parte de toda a comunidade. "Quando ninguém nos ouve, ao povo só resta fazer justiça com as próprias mãos", refere Nélson. Estão marcados também encontros de apoio ao bloqueio para a tarde desta sexta-feira nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Braga.
"O bloqueio visa a interrupção total dos trabalhos numa das áreas da servidão administrativa [encargo imposto pelo Estado sobre uma propriedade privada (ou pública) com o objetivo de garantir a realização de uma obra ou serviço de utilidade pública] e resulta de uma decisão comunitária sobre a necessidade de escalar a resistência", lê-se no comunicado partilhado pela associação. Refere ainda que o bloqueio é o resultado da "inflexibilidade do Governo em escutar as reivindicações da população."
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Lítio: Opositores à mina fazem hoje bloqueio aos trabalhos em Boticas
No momento, o projeto conta com duas licenças de exploração mineira: uma concedida em 2006, por um período de 30 anos, e outra em 2024, com uma duração de 25. A mina do Barroso é, segundo o site da Savannah Resources, o maior depósito de lítio de espodumena em rocha dura da Europa.
De salientar que, em junho de 2026, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela aceitou uma providência cautelar que suspendia a segunda servidão administrativa e a exploração. Mas segundo Nélson Gomes, "os trabalhos deverão acabar antes de terminar o processo judicial". Confirmou também que a Associação tem tido total apoio por parte da Câmara Municipal de Boticas.
Recorde-se que, em 2023, a Associação Portuguesa do Ambiente (APA) viabilizou a exploração de lítio nesta região. Mas, apesar de ter emitido uma Declaração de Impacte Ambiental favorável, a entidade impõe algumas condicionantes ao projeto, tais como a interdição de captação de águas no rio Covas e a definição do período de desmatação entre setembro de 2023 e março de 2024.
GNR identifica 27 pessoas
A GNR identificou esta sexta-feira 27 pessoas que estão a fazer um bloqueio aos trabalhos da Savannah nos terrenos sob servidão administrativa, segundo fonte do Comando de Vila Real.
A GNR foi chamada ao local e, depois de contactada pela agência Lusa, disse que foram identificadas 27 pessoas que estão a participar no bloqueio, referindo ainda que a empresa decidiu suspender hoje os trabalhos.
Fonte da empresa acrescentou que, "por precaução, e em coordenação com as autoridades, o trabalho no terreno foi interrompido hoje continuando nas suas muitas outras vertentes".
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