Fogos. Governo gasta €1 milhão em evento "irrelevante", acusa Observatório Independente

O Observatório Técnico Independente que analisa os fogos em Portugal entregou ao Parlamento o relatório sobre o plano de gestão e combate a incêndios com duras críticas. E deixa o alerta: no futuro, os incêndios serão “cada vez mais intensos e de maiores dimensões”. Plano ignorou a questão das alterações climáticas e as corporações de bombeiros.

Ainda com os fogos de 2017 na memória, Portugal quer organizar já em 2023 uma conferência mundial dos incêndios rurais, "aproveitando a oportunidade para demonstrar os progressos no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais" e para mostrar Portugal "como um país de referência no âmbito da gestão integrada dos incêndios rurais". A proposta vai custar um milhão de euros e consta no Programa Nacional de Ação, aprovado em Conselho de Ministros no final de maio. Este ponto é, aliás, alvo de críticas por parte do Observatório Técnico Independente (OIT) para análise, acompanhamento e avaliação dos incêndios florestais e rurais em Portugal, que entregou esta terça-feira no Parlamento o relatório sobre o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais e do seu Programa Nacional de Ação. 

Apesar de reconhecer a importância da organização de eventos, o Observatório Técnico Independente refere no documento a que a SÁBADO teve acesso que o investimento de um milhão de euros é "questionável" e que "este evento aparenta ter uma natureza mais promocional do que científica e ser mais dirigido ao exterior do que ao país, pelo que o seu impacto relativo se estima como irrelevante". E vai mais longe: "É extemporâneo considerar Portugal como um país de referência no âmbito da gestão integrada dos incêndios rurais em 2023, quando não está demonstrado que o seja efetivamente, nem que seja certo que o venha a ser efetivamente no prazo de dois anos". 

O Programa Nacional de Ação esteve em consulta pública até março e foi aprovado no final de maio em Conselho de Ministros. A Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) coordenou a elaboração do programa de prevenção e combate a incêndios e há um total de 97 projetos, que suscitam também muitas dúvidas. Primeiro, porque a AGIF intervém em cerca de 60 e depois porque existem "valores discrepantes, e por vezes injustificados, das verbas afetas". O facto de a AGIF estar em mais de metade dos projetos é, segundo o Observatório Técnico Independente, "excessivo". 

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