Presidente da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores afirma que a resposta devia ser alargada para além dos meses oficiais de verão.
O presidente da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS), Alexandre Tadeia, defendeu este sábado que Portugal deve repensar o modelo de vigilância nas praias, alargando a resposta para além dos meses oficiais de verão.
Nadadores SalvadoresCOFINA MEDIA
"O sistema que temos em Portugal de assistência a banhistas, como está montado agora legalmente, por um lado não atrai nadadores-salvadores e, por outro lado, não retém" estes profissionais, disse Alexandre Tadeia.
O presidente da FEPONS falava à agência Lusa à margem do Campeonato Nacional de Salvamento Aquático Desportivo de Praia, que está a decorrer na praia Vasco da Gama, em Sines, no distrito de Setúbal.
"Todos os anos temos falta de nadadores-salvadores", principalmente, no arranque da época balnear e, para colmatar esta dificuldade, estes profissionais fazem "muitas horas extraordinárias", salientou.
Para os nadadores-salvadores, "é normal fazerem 56 horas de trabalho por semana, 60 ou mais", acrescentou.
"É algo que deveríamos mudar. Já temos feito muitas propostas para alterar esta situação. Temos sido ouvidos, agora, a realidade é que não se tem traduzido em legislação que é isso que necessitamos", argumentou.
A época balnear arranca, este sábado, nas praias dos concelhos de Grândola, no distrito de Setúbal, e de Odemira, no distrito de Beja.
Segundo o responsável, existem cerca de cinco mil pessoas certificadas como nadadores-salvadores em Portugal, mas seriam necessários cerca de seis mil profissionais para garantir horários até 40 horas semanais.
"Desses cinco mil, nem todos vão querer trabalhar como nadador-salvador e isto é algo que achamos que vale a pena mudar porque a estatística de morte por afogamento em Portugal diz-nos que em locais vigiados a percentagem é muito baixa", assegurou.
Com base neste cenário, Alexandre Tadeia admitiu que, neste arranque da época balnear, vão existir "muitos locais" com "dificuldade em cumprir aquilo que a lei" determina em "quantidade de nadadores-salvadores".
Por outro lado, sublinhou, há que considerar a mortalidade nas praias fora da época balnear.
"Estamos só a olhar para dois ou três meses de verão, em alguns locais, quatro meses de verão e, no resto do ano, temos muita mortalidade nas praias portuguesas por afogamento", observou.
O presidente da federação deixou ainda um alerta aos banhistas para que frequentem apenas "espaços aquáticos vigiados" e respeitem as bandeiras que delimitam a área de banho.
"A maior parte dos portugueses não têm noção" de que "apenas a unidade balnear tem vigilância", e que "o resto da praia é zona não vigiada", explicou.
O Campeonato Nacional de Salvamento Aquático Desportivo de Praia, em Sines, conta com a participação de 58 atletas de sete equipas que serão apurados para a seleção nacional que vai representar Portugal nos campeonatos da Europa e do Mundo desta modalidade.
Federação defende Portugal deve repensar modelo de vigilãncia nas praias
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