Escária era administrador da Martifer enquanto negociava fundos europeus pelo governo

Escária era administrador da Martifer enquanto negociava fundos europeus pelo governo
Maria Henrique Espada 27 de agosto de 2020

Como consultor de António Costa, tinha a missão de acompanhar os fundos estruturais e participou em reuniões europeias de alto nível nessas funções. Mas estava também no conselho de administração da Martifer. Susana Coroado, da Transparência e Integridade, diz que é uma situação de "incompatibilidade óbvia" e "muito grave".

Vítor Escária é o novo chefe de gabinete de António Costa, após ter estado dois anos como consultor para o processo de negociação para os fundos estruturais europeus. Desempenhava as funções no âmbito de um contrato de uma agência pública com o ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), onde é professor. O regresso ao gabinete do primeiro-ministro, onde tinha estado no início do mandato, acontece depois do dossier Galpgate, no qual foi acusado de recebimento indevido de vantagem, estar fechado com o pagamento de 1.200 euros à justiça. Mas durante todo o período em que foi consultor externo, Escária manteve as ligações ao setor privado, não só a várias empresas de consultoria (United Pride Holding, Now Strategy Global Consulting, Cirius, Augusto Mateus e Associados), e o cargo de administrador não-executivo da Martifer, uma grande empresa portuguesa na área da construção e energia com interesses e investimentos em vários países europeus. Uma acumulação que não poderia acontecer se fosse membro do governo ou do gabinete de António Costa, já que estes exercem funções em regime de exclusividade.

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