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Da aquisição de 13,7% da REN ao investimento na TAP e à redução de impostos: as promessas de Montenegro na reentré do PSD

Primeiro-ministro não abordou as polémicas que marcaram o Executivo nos últimos meses, a envolver os ministros Luís Neves e Fernando Alexandre.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou a aquisição de 13,7% da Redes Energéticas Nacionais (REN), prometeu a recuperação do investimento na TAP através da venda da empresa e revelou a criação de um Passe Ferroviário Verde para Lisboa e Porto. No discurso durante a reentré do Partido Social Democrata (PSD), que decorre este fim de semana na Quarteira, no Algarve, o líder do Governo alongou-se ainda pelos “feitos” do partido nos últimos dois anos.  

Luís Montenegro discursou por meia hora na Festa do Pontal
Luís Montenegro discursou por meia hora na Festa do Pontal LUÍS FORRA/LUSA

"O Estado português chegou a acordo com um grupo espanhol para adquirir 13,7% da REN", um investimento que se enquadra no fundo soberano "que está a ser formatado" e que se inscreve numa política de criar "alicerces para uma economia mais competitiva e mais produtiva". A aquisição visa “salvaguardar o interesse estratégico de Portugal na sua infraestrutura elétrica, participar nas decisões de investimento e, assim, baixar o preço da energia”.

Também o Passe Ferroviário Verde vai passar a abranger os transportes urbanos das Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa (atualmente está implementado nos comboios de todo o país, à exceção dos Alfa Pendular) , a partir de setembro. "Isto favorece a mobilidade daqueles que têm que se deslocar para ir trabalhar, estudar, mas também para conhecer o país, estar mais perto dos seus amigos e famílias", argumentou.

Ficou ainda a promessa da recuperação do valor investido pelos portugueses na TAP, depois da venda da empresa. O primeiro-ministro acredita que a venda é uma “valorização da empresa” e servirá a “economia e os interesses da sociedade. Será uma operação melhor do que aquilo que se perspetivava há alguns anos, se calhar mesmo há alguns meses".

O novo hospital no Algarve “está a caminho”. O concurso público “já foi lançado” e o primeiro-ministro garantiu que o objetivo será cumprido. A infraestrutura ficará “ao serviço do Algarve e de Portugal e ao serviço das ciências médicas para robustecer ainda mais os quadros necessários em todo o país”. 

Garantiu também que “os investimentos na água estão a avançar”. Montenegro assegurou que os projetos da barragem de Alportel “não vão ficar pelo papel e pelos discursos”. Já no desporto, “no próximo ano, vai haver o prémio de fórmula 1 no Algarve e em 2028 também. Até 2029, vai haver a prova do moto GP. Com eventos por todo o país, promovemos o nosso país para ter mais visitantes e mais investimento”, reiterou.  

Luís Montenegro repetiu que é preciso falar mais do que o Governo faz bem e menos do que “corre não tão bem”, ainda que tenha frisado que estas últimas precisam de “tratamento”. Não referiu, no entanto, em momento algum, as polémicas que marcaram os últimos meses do Executivo, como o caso do ministro da Administração Interna, Luís Neves, ou a confusão nos exames nacionais, tema referente ao Ministério da Educação, liderado por Fernando Alexandre (nenhum dos ministros marcou presença na festa).  

Além das novidades, o líder social-democrata elencou uma série de ‘conquistas’ do Governo nos últimos dois anos. “Num ano particularmente duro, que se iniciou com as tempestades, originou uma resposta rápida que ainda não acabou. Já investimos mais de 3 mil milhões de euros na recuperação de Portugal.” 

Mencionou os combustíveis que, “fruto da instabilidade internacional, os portugueses têm de pagar um preço muito maior do que no ano passado. Já foram 300 milhões de euros em ajudas. Há uma parte dos impostos que não está a ser cobrada”, afirmou.  

Sublinhou que o desemprego está num nível “histórico” com “mais 100 mil pessoas a trabalhar do que no trimestre anterior, menos 45 mil desempregados e 150 mil novos postos de trabalho nos últimos dois anos”. A par do emprego, referiu que os salários cresceram “cerca de 15% em dois anos” e apontou o aumento do salário mínimo nacional para os 1.100 euros até ao fim da legislatura, em 2029.  

Continuou o autoelogio pela economia, transportes, agricultura, estabilização da inflação e o custo do cabaz alimentar “mais baixo do que quando começou a crise dos combustíveis”. Destacou o crescimento da economia que considera dever-se à redução dos impostos sobre o trabalho e sobre as empresas. Para terminar o discurso, rematou: “A maioria absoluta dava jeito, mas não é nenhum drama.” 

Estiveram presentes na Festa do Pontal vários ministros como António Leitão Amaro, Ana Paula Martins, Maria do Rosário Palma Ramalho ou Manuel Castro Almeida, assim como o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares. Entre as ausências, destaque para dois ministros que têm estado no centro das polémicas nas últimas semanas, Luís Neves (Administração Interna) e Fernando Alexandre (Educação), mas também Paulo Rangel (Negócios Estrangeiros) e Joaquim Miranda Sarmento (Finanças).

O primeiro-ministro chegou acompanhado pela mulher, Carla Montenegro, pelas 20:00 e percorreu o espaço da festa, começando por escrever uma mensagem no mural que estava numa exposição à entrada com várias fotografias desta festa que faz este ano 50 anos.

Montenegro não quis responder a perguntas dos jornalistas, cumprimentou vários sociais-democratas presentes, tirou algumas fotografias, recebeu abraços e palavras de incentivo e até provou uma bebida que tinha sido feita especialmente para assinalar os 50 anos desta "festa laranja".

Com Lusa 

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