Cristas não matou Portas - ressuscitou-lhe o sonho

Cristas não matou Portas - ressuscitou-lhe o sonho
Octávio Lousada Oliveira 02 de outubro de 2017

Basta recuarmos ao debate pré-legislativas 2011 para percebermos os planos do CDS para o centro-direita português. O carismático Portas nunca valeu mais do que o PSD; Cristas começou esta noite a vergar os sociais-democratas

Talvez seja excessivo dizer que o CDS cantou e dançou numa noite de velório no PSD. Talvez nem seja justo para Assunção Cristas e para o seu núcleo duro que se presuma que tenham ficado felizes com a hecatombe eleitoral de Pedro Passos Coelho, Teresa Leal Coelho, Álvaro Santos Almeida e demais (cada vez menos) simpatizantes do ainda presidente social-democrata. Talvez seja precipitado supor que o resultado em Lisboa catapulte a chefe centrista para a liderança da oposição a António Costa. E talvez também seja pouco avisado acreditar-se que Cristas se libertou definitivamente do espectro de Paulo Portas.

Detalhe: no que respeita à forma, à estratégia (de algum esvaziamento ideológico do partido até), ao pragmatismo, à eficácia, Cristas superou o antecessor. Ao mais do que o expectável - à hora a que este texto foi escrito - "hexa" autárquico somou um "resultadão" em Lisboa, muito à conta da erosão do que resta do que sobra do PSD. Ou deste PSD. Cristas secou aqueles que contra ela poderiam levantar a voz, caso a ousadia anunciada há um ano fosse mal-sucedida, ao mesmo tempo que consumou a OPA aos eleitores "laranjinhas" na capital, embora o fenómeno dificilmente tenha paralelo quando jogar no seu campeonato, o das legislativas.

Outro pormenor: até ver, a líder vale mais do que o partido. Em Lisboa, o resultado foi de Assunção. Foi por ela que gritaram os "jotas" que se encontravam na sede do CDS, no Largo Adelino Amaro da Costa. Desenganem-se os que vislumbram no score deste domingo mais do que vestígios de azul e amarelo dos democratas-cristãos. 

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