Covid-19: A liberdade de imprensa ainda está confinada?

Covid-19: A liberdade de imprensa ainda está confinada?
Margarida Davim 19 de agosto de 2020

A Covid-19 alterou regras de conferências de imprensa um pouco por todo o mundo. Por cá há quem denuncie abusos. E o Sindicato dos Jornalistas diz que já é hora de acabar com exceções pensadas para o estado de emergência.

Há um número limitado de órgãos de comunicação social que pode estar presente na sala nas conferências de imprensa da Presidência do Conselho de Ministros (PCM) e da DGS. Quem ficar de fora pode entrar por Zoom, se o pedir antes, e sujeitar-se a um sorteio que determina quem faz perguntas. As regras foram criadas no início da pandemia, quando o país estava de quarentena. O desconfinamento ainda não chegou para as mudar. Mas o Sindicato dos Jornalistas diz que é hora de as repensar e conta como um pouco por todo o país "há uma tentação do poder" para aproveitar a pandemia e "prolongar exceções". 

"Não faz sentido [manter as restrições às conferências de imprensa]. A liberdade de expressão não se suspende porque estamos em pandemia. Além do mais nem estamos em estado de emergência. O jornalismo faz-se com perguntas. Estarmos na normalidade democrática e não se devem prolongar exceções", diz à SÁBADO a vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas, Isabel Nery.

As regras que ainda se mantêm em vigor foram, segundo uma fonte do Governo, pensadas ouvindo as organizações jornalísticas, assim que o país se fechou em quarentena em março. "Ao contrário de outros países, encontrámos uma fórmula que foi pensada com o Sindicato dos Jornalistas e Conselho Deontológico no início da pandemia", nota a mesma fonte, explicando que a ideia foi evitar soluções como a que deu tanta polémica em Espanha por pôr um membro do executivo a filtrar as questões feitas ao primeiro-ministro.

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