Coronavírus: Banco de Sangue do Hospital de S. João corre risco de rutura

Lusa 11 de março de 2020
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A diretora do serviço de imuno-hemoterapia admitiu que "há um medo" que se tem traduzido numa "diminuição de afluência" de dadores de sangue.

O Banco de Sangue do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto, está a registar uma "diminuição significativa" de dadores e pode deixar de ser autossuficiente em sete a 10 dias, indicou hoje a diretora do serviço.

Hospital de São João, no Porto
Hospital de São João, no Porto
Hospital de São João, Porto, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, saúde
Hospital de São João, no Porto
Hospital de São João, no Porto
Hospital de São João, Porto, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, saúde

Em declarações à agência Lusa, sem poder garantir que esta diminuição terá a ver com o surto Covid-19, a diretora do serviço de imuno-hemoterapia, Maria do Carmo Koch, admitiu que "há um medo que não é exclusivo de Portugal", sendo "algo que se verifica em outros países e em todo o mundo" e que se tem traduzido numa "diminuição de afluência".

"A média rondava as 50 dádivas de sangue [por dia] e ontem [terça-feira] tivemos 17. Essa diferença acentuou-se mais a partir da última semana", indicou a responsável de um serviço que é autossuficiente desde 2011/2012, mas que, se este ritmo de dádivas se mantiver, pode deixar de ser "em sete a 10 dias".

"Temos as reservas de sangue, mas essas reservas precisam de ser substituídas porque todos os dias temos doentes que precisam de sangue. Se as reservas não forem substituídas poderemos ter rutura. Teremos de contactar o IPST [Instituto Português do Sangue e Transplantação] e, numa última análise e hipótese, poderá ocorrer o cancelamento de cirurgias programadas", descreveu Maria do Carmo Koch.

O Banco de Sangue do CHUSJ mudou-se para instalações renovadas no final do ano passado, tendo agora acesso autónomo face ao edifício principal e jardins do hospital, através da Rua Roberto Frias, bem como zona de estacionamento reservada a dadores.

O serviço está aberto de segunda-feira a sexta-feira das 08:30 às 19:15, aos sábados das 09:00 às 12:30 e das 14:30 às 19:15 e domingos das 09:00 às 12:30.

A diretora do serviço de imuno-hemoterapia descreveu à Lusa que "os bancos de sangue de todo o mundo estão a apelar à dádiva porque é nestas fases críticas que mais os doentes precisam".

"O sangue é um bem essencial, é um bem que salva vidas, não se produz artificialmente e os doentes ficam completamente dependentes do sangue que é doado", frisou.

Sobre restrições relacionadas com o surto de Covid-19, o qual regista na região Norte o maior número de casos confirmados (36), seguida da Grande Lisboa (17) e das regiões Centro e do Algarve (três cada), Maria do Carmo Koch apontou algumas recomendações, mas salientou a importância da dádiva de sangue.

"As pessoas devem adiar as suas dádivas por 28 dias se vierem de países onde existe transmissão ativa ou se tiveram contactos com pessoas suspeitas ou confirmadas. Mas é muito importante que os dadores continuem a doar. É muito importante", sublinhou.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou hoje o número de infetados com o novo coronavírus, que registou o maior aumento num dia (18), ao passar de 41 para 59.

Segundo a DGS, há ainda 3.066 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Face ao aumento de casos, o Governo ordenou a suspensão temporária de visitas em hospitais, lares e estabelecimentos prisionais na região Norte, até agora a mais afetada.

Foram também encerrados alguns estabelecimentos de ensino, sobretudo no Norte do País, assim como ginásios, bibliotecas, piscinas e cinemas.

A epidemia de Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, foi detetada em dezembro na China e já provocou mais de 4.200 mortos.

Cerca de 117 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 63 mil recuperaram.

Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 631 mortos e mais de 10.100 contaminados pelo novo coronavírus, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia.

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