Como Espanha envenena a água do rio Tejo

Sérgio A. Vitorino 06 de novembro de 2019

Com níveis elevados de fósforo e de azoto e um baixo teor de oxigénio, a água do Rio Tejo chega a Portugal envenenada pelos esgotos e indústrias de Espanha.

O Tejo que entra em Portugal é libertado ao gosto dos interesses económicos espanhóis e chega com venenos: algas; oito vezes mais fósforo do que o máximo recomendado; azoto também acima do normal; e um valor de oxigénio dissolvido na água a rondar os 2 mg/l, quando o mínimo para um rio saudável são 5 mg/l. Um cocktail de desastre e que é o epílogo de como Espanha maltrata o maior rio ibérico. A SÁBADO percorreu os 1.007 quilómetros entre a nascente do rio, na serra de Albarracín, até ao estuário em Alcochete. Vinte e duas análises à água (11 em Espanha e 11 em Portugal), realizadas por um laboratório acreditado e interpretadas por especialistas independentes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, comprovam as agressões e as pressões urbanas, agrícolas, industriais e económicas sobre o Tejo. Mas também como ele tenta recuperar saúde em Portugal.

"É necessário um relacionamento mais assertivo com Espanha. Tem - -se discutido a quantidade da água, o cumprimento dos caudais mínimos da Convenção de Albufeira, e esses são semanais. Um dia pode haver um grande caudal libertado por Espanha e nos restantes só 600 litros, o que não é nada. Estas flutuações não permitem uma boa saúde do rio", acusa Carla Graça, engenheira do Ambiente e vice-presidente da associação ambientalista Zero.

"O Governo devia pôr pressão a Espanha. Há certos dias em que o rio leva uma manta [muita água] e no outro vai seco", conta o "guardião do Tejo" Arlindo Marques. Este guarda prisional de 53 anos, nascido à beira -Tejo, em Ortiga, dedicou os últimos três a denunciar os males do rio.

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