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CIP diz que empresas querem investir em Defesa e "se não produzirem armas, produzem pólvora"

Presidente da CIP quer integrar empresas portuguesas nos investimentos da Defesa Nacional. O ministro, Nuno Melo, diz que "também quer a indústria atenta às imensas possibilidades".

O presidente da CIP -- Confederação Empresarial de Portugal defendeu hoje a importância de integrar as empresas portuguesas nos processos de aquisições na Defesa e o ministro Nuno Melo disse querer a indústria "atenta às oportunidades".

Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal
Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal Vítor Chi/Medialivre

"Senhor ministro, as empresas estão aqui presentes, se não conseguirem produzir armas, produzem pólvora, mas produzem o que for necessário para que todo este investimento que vai ser feito não seja apenas uma compra ao exterior, mas sim uma participação direta de todos aqueles que ainda hoje ousam e arriscam ser empresários e empresárias e, com isso, criar postos de trabalho em Portugal", realçou o presidente da CIP, Armindo Monteiro.

O responsável falava na Academia Militar, na Amadora, onde hoje decorreu uma conferência intitulada "Indústria da Defesa: Posicionar as Empresas Portuguesas" organizada pela CIP, em parceria com a idD Portugal Defence.

Dirigindo-se ao ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, que se encontrava na plateia, Armindo Monteiro estimou que nos próximos anos esta área de soberania terá entre mãos 10 mil milhões de euros e as empresas portuguesas querem fazer parte deste investimento de forma competitiva.

"Temos sempre esta ideia que não podemos transformar a especialização da nossa economia. Naturalmente, se continuarmos a vender cafés a vinte cêntimos ou água de coco na praia, a produtividade fica evidente", ironizou o presidente da CIP, que apontou a área da Defesa como uma das mais exigentes ao nível da inovação.

Armindo Monteiro afirmou que a Defesa é "talvez em todo o mundo a área com maior poder de atração, de inovação, de competitividade e, por esse meio, de arrastamento de todos os outros setores".

"Talvez juntamente com a indústria farmacêutica seja a área, o setor, que mais puxa pela economia no nível da sofisticação, da inovação e, por isso, permite, efetivamente, transformar a economia", sustentou.

Momentos depois, Nuno Melo subiu ao púlpito para deixar um novo apelo: "A Defesa Nacional também quer a indústria atenta às imensas possibilidades que a Defesa proporciona".

O ministro salientou que o setor conta hoje com 465 empresas, "o maior número desde que há registo", e no ano passado o "volume de negócios no setor aumentou 26% e os empregos 18%", tendência que deverá ser reforçada este ano.

Nuno Melo realçou que, no âmbito dos investimentos do SAFE (empréstimos europeus que rondam os 5,8 mil milhões a executar até 2030), a indústria portuguesa "foi considerada" e integrada nos processos de aquisição, dando como exemplo as novas fragatas italianas cuja participação da indústria nacional ronda os 8,3%, no valor estimado de 325 milhões de euros.

"Mas no que tem a ver com os drones, a aquisição é 100% realizada por empresas portuguesas. E em cada equipamento, em terra, mar, ar, espaço e ciberespaço, cada aquisição tem a participação das empresas portuguesas, em maior ou menor grau", sublinhou.

O governante fez ainda referência ao investimento no Arsenal do Alfeite, que terá um novo modelo de gestão através de uma parceria entre a entidade pública idD Portugal Defence e a italiana Fincantieri, no âmbito do negócio de aquisição das três fragatas.

"O investimento que vamos começar a fazer agora no Arsenal do Alfeite garante a revitalização de uma entidade que vai ser catapultada para o século XXI e que, à volta sua, vai agregar muitíssimas outras empresas, com investimentos superiores a 100 milhões de euros", apontou o ministro.

Em declarações aos jornalistas, Nuno Melo adiantou que o acordo de empréstimo do Governo com a Comissão Europeia no âmbito do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE) já está em Bruxelas.

Nuno Melo anunciou que no próximo dia 19 serão lançados mais dois satélites para integrar a chamada "Constelação do Atlântico", parceria entre Portugal e Espanha financiada pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) para desenvolver e lançar uma constelação de satélites de observação da Terra.

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