O coordenador do BE também elogiou a necessidade de "haver uma partilha de responsabilidades" no programa que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, apresentou.
O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) elogiou hoje o primeiro-ministro por não ter fixado já nenhum teto orçamentar no Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), porque são necessárias propostas concretas, e defendeu o fim das monoculturas.
José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de EsquerdaLusa
"O primeiro-ministro não fixou nenhum teto orçamental para este efeito e fez bem, porque é preciso que haja propostas que sejam boas, sólidas, consistentes e, por isso, é preciso que haja uma mobilização de todos os fundos, incluindo dinheiro comunitário, para a reconstrução de um país ou de uma parte importante de um país que ficou totalmente devastada", defendeu José Manuel Pureza.
Aos jornalistas, à margem de uma visita ao Centro de Apoio Alzheimer de Viseu, o coordenador do BE também elogiou a necessidade de "haver uma partilha de responsabilidades" no programa que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, apresentou.
"Acho isso magnífico, porque é preciso que a maioria do costume, isto é, quem trabalha, não fique com a fatura toda. É preciso que, por exemplo, grandes empresas, concessionárias de autoestradas, de telecomunicações, façam a sua parte e isso é particularmente importante. Bater-nos-emos por isso", realçou.
José Manuel Pureza concordou igualmente com Luís Montenegro, quando disse que "é preciso reconstruir com resiliência para que o país fique melhor", mas, para isso, "é preciso ter uma visão estratégica, que este Governo não tem" tido.
"Precisamos que nos territórios que foram particularmente afetados e que vão ter que ser reconstruídos em grande medida se liberte o país da monocultura do turismo, das monoculturas em geral e que haja um investimento sério em robustez, quer das infraestruturas, quer da própria comunidade", acrescentou.
O coordenador disse que o BE tem propostas sobre esta matérias, mas escusou-se de as adiantar aos jornalistas, remetendo-as para a reunião que o primeiro-ministro quer fazer.
José Manuel Pureza disse ainda que "não faz nenhum sentido" que as portagens da autoestrada ou o imposto sobre imóveis (IMI) se mantivessem nas áreas afetadas pelas intempéries das últimas semanas e que a ausência destas taxas são "propostas de socorro", mas é preciso mais, a médio e longo prazo.
"O que é preciso é que esta reconstrução não caia os mesmos vícios de fragilidade que nos conduziram aqui e é por isso que é preciso libertar as economias locais do investimento de uma monocultura que leva a coisas tão erradas como construir em leitos de cheia ou fazer unidades económicas que não têm nada a ver com a robustez do tecido económico", sublinhou.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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