António Leitão Amaro afirmou que o executivo retirou lições da falha elétrica e avançou com mudanças nos procedimentos, meios técnicos e planeamento de resposta.
O ministro da Presidência admitiu esta quinta-feira que o Governo não tinha, no apagão de 28 de abril de 2025, planeamento específico de coordenação política e resposta à crise, mas rejeitou ter subestimado a gravidade do incidente.
Mercado da Ribeira, em Lisboa, durante o apagãoANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Na última audição do grupo de trabalho parlamentar sobre o apagão, na Comissão de Ambiente e Energia, António Leitão Amaro afirmou que o executivo retirou lições da falha elétrica e avançou, entretanto, com mudanças nos procedimentos, meios técnicos e planeamento de resposta.
O ministro sustentou que a reação política começou nos primeiros minutos após a quebra de energia, ocorrida às 11:33, com contactos entre o Governo e as principais empresas do setor, e defendeu que a comunicação inicial foi feita no formato considerado mais resistente naquele contexto.
Mas o governante reconheceu fragilidades nas comunicações durante o apagão. "Nós sabemos que a resiliência das redes de comunicação, mesmo dos canais de rádio, era limitada e vulnerável", afirmou, apontando o reforço dessas redes como uma das áreas incluídas no PTRR, que será aprovado na próxima terça-feira.
O apagão mostrou que "não tínhamos os meios técnicos, sequer dentro do Governo, para todos falarmos imediatamente por rede SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança)", situação que, disse, foi entretanto corrigida com a entrega de terminais aos membros do executivo.
Sobre as conclusões retiradas do episódio, foi direto: "Aprendemos? Aprendemos. Aprendemos que era preciso melhorar? Aprendemos. Era preciso planear a comunicação e o circuito de comunicação e os passos a dar? Sim".
O ministro disse que, na sequência dessa aprendizagem, foi criado o Corgov, Centro de Operações do Governo, "que é uma estrutura e um manual de procedimentos para coordenação política e comunicação política em momento de crise", defendendo que o Estado está hoje mais preparado para responder a ocorrências semelhantes.
Ainda assim, rejeitou que o Governo tenha desvalorizado a dimensão do risco e defendeu também que a resposta inicial não poderia ter sido mais rápida, embora admita que hoje seria menos improvisada. "Nós hoje temos o Corgov, que da perspetiva da coordenação e comunicação política do Governo é menos improvisada, é muito mais planeada", referiu.
Na audição, o ministro insistiu que a prioridade do executivo foi assegurar o funcionamento das infraestruturas críticas, em especial dos hospitais, num cenário em que, afirmou, chegaram a ser ponderadas várias alternativas para garantir combustível a unidades de saúde da área de Lisboa.
Sobre esse momento, declarou: "Provavelmente foi o momento mais dramático que eu vivi na minha vida política foi ter ouvido qual era o cenário de risco que poderia estar envolvido caso tudo falhasse".
Numa das passagens mais emotivas da audição, o ministro referiu-se ao risco de falha de abastecimento em unidades hospitalares com recém-nascidos e doentes dependentes de suporte elétrico. "Naquele sítio havia crianças cuja vida, bebés, dependiam do fornecimento elétrico para viverem, porque vivem em incubadoras com ventilação assistida", afirmou.
O governante admitiu prejuízos para a população, mas reiterou que a origem da falha não esteve em território nacional. "Claro que os portugueses foram lesados. Houve pessoas que não conseguiram fazer o que queriam estar a fazer, atividades que não puderam acontecer da mesma forma e vidas que foram perturbadas. Isso é uma lesão", comentou, reforçando que "a causa [do pagão] não foi em Portugal", mas sim em Espanha.
No final, António Leitão Amaro resumiu a posição do Governo sobre o apagão e as medidas tomadas depois da crise: "Desta vez correu bem. Mas não estava tudo bem para correr bem. E nós aprendemos lições. Melhorámos várias coisas".
A audição desta quinta-feira foi a última do grupo de trabalho, que entra agora na fase de preparação do relatório final.
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