Aguiar-Branco: política & negócios associados

Gustavo Sampaio , Vítor Matos 31 de março de 2015

O ministro da Defesa promove empresas portuguesas em mercados onde o seu escritório apela ao investimento. Uma história de zonas cinzentas

Uma semana antes de o ministro da Defesa ir a Bogotá promover um conjunto de empresas ligadas ao sector militar, a sociedade de advogados de José Pedro Aguiar-Branco promoveu em Lisboa um seminário sobre como investir na Colômbia. Três meses depois de Aguiar-Branco visitar o Peru como ministro, o seu escritório anunciou uma parceria com uma sociedade de advogados de Lima. Paulo Cutileiro, o seu principal adjunto no ministério, também é sócio da JPAB & Associados, que tem uma área de apoio à internacionalização de empresas. Aguiar-Branco nomeou-o para o grupo de trabalho para promover a internacionalização das empresas de Defesa. Outros dois antigos assessores do ministro passaram para empresas privadas com interesses no sector: Afonso Azevedo Neves transitou do ministério para a CEIIA, um agrupamento de empresas ligado à produção do avião que poderá substitiuir o C-130; Rodrigo Adão da Fonseca, que presidiu à Edisoft é agora é CFO da Tekever, um gupo tecnológico que produz drones, que tem protocolos com os ramos e acompanha o ministro nas viagens de promoção dos negócios. Esta é uma história de zonas cinzentas.

No dia 29 de Outubro de 2014, José Pedro Aguiar-Branco tornou-se o primeiro ministro da Defesa português a viajar para a Colômbia, com o objectivo de estabelecer relações bilaterais e promover a internacionalização das empresas portuguesas na área da Defesa. No dia 22 de Outubro, uma semana antes dessa viagem, a assessoria de apoio à internacionalização de empresas da JPAB & Associados – o escritório de advogados com as iniciais de José Pedro Aguiar-Branco –, organizou em Lisboa um seminário sobre Oportunidades de Investimento na Colômbia e em Moçambique (o escritório também tem uma parceria com a Câmara do Comércio Portugal Moçambique, um país com que o Ministério da Defesa tem relações próximas, por causa da cooperaão militar).
A sociedade de advogados portuense de José Pedro Aguiar-Branco tem várias parcerias com escritórios estrangeiros e uma delas é com a colombiana Arciniegas, Lara, Briceño, Plana Abogados, com sede em Bogotá e filial em Caracas, na Venezuela. Os advogados colombianos Jorge Lara e Ismael Arciniegas, que têm ligações ao sector do turismo, estiveram em Lisboa quando a JPAB organizou aquele seminário sobre como investir na Colômbia. Ismael Arciniegas foi, aliás, o primeiro subscritor da lista de fundadores da Câmara de Comércio e Indústria Colombo-Portuguesa, criada em Abril de 2013. Em Janeiro de 2014, a JPAB publicou um documento destinado aos empresários que quisessem fazer negócios naquele país, intitulado: As perguntas mais frequentes sobre o investimento na Colômbia. No site da sociedade pode ler-se que este guia se destina a dar "ferramentas de trabalho a investidores portugueses que facilitem o acesso a este mercado". Em Outubro de 2013, a JPAB tinha organizado, com a AEP – Associação Empresarial de Portugal, outro colóquio sobre o tema, onde os mesmos advogados colombianos foram oradores. Aguiar-Branco garante, em resposta à SÁBADO, que não esteve presente em nenhuma das iniciativas e que não se encontrou com os parceiros nas viagens oficiais.

Um mercado "importantíssimo"
Na pele de ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco visitou Bogotá durante três dias, para se encontrar com o seu homólogo colombiano, mas sobretudo para participar na inauguração da Expodefensa, Feira Internacional de Defesa e Segurança, onde estava representada a IDD – Indústria de Desmilitarização e Defesa, uma empresa que o ministro transformou em agência para promover as exportações portuguesas do sector. Com a IDD, estavam 12 empresas portuguesas representadas no evento. "Trata-se de abrir caminho para novos mercados para a capacidade de exportação e internacionalização" das empresas portuguesas, disse então o ministro à Lusa. Aguiar-Branco declarou que "o mercado da Colômbia é importantíssimo" e desejou que "saiam bons negócios para Portugal".

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