Em causa exames periciais à faca encontrada no local do crime.
O advogado do polícia que matou Odair Moniz questionou esta quarta-feira os métodos de preservação do local do crime e os exames periciais à faca encontrada no local feitos pela Polícia Judiciária (PJ).
Odair MonizDR
Durante a sessão do julgamento do agente da PSP Bruno Pinto, acusado de homicídio, o seu advogado, Ricardo Serrano Vieira, confrontou o inspetor da PJ André Mesquita com as perícias feitas à faca encontrada no local e aos restantes objetos, defendendo que o relatório não refere exatamente que não foram encontrados quaisquer vestígios, mas sim que não foram encontrados vestígios suficientes.
Na sessão anterior, o inspetor da PJ referiu que não foram encontrados vestígios de ADN na faca, admitindo mesmo ser pouco provável que Odair Moniz tenha pegado em tal objeto.
Sobre as perícias feitas à faca, o advogado questionou ainda o facto de o exame biológico e o exame às impressões digitais apresentarem datas diferentes, tendo o inspetor André Mesquita explicado que a recolha foi feita em simultâneo, podendo os relatórios ter sido produzidos em datas distintas, uma vez que o exame biológico demora mais tempo.
Esta sessão ficou também marcada pela repetição da visualização das imagens de videovigilância que mostram o momento em que Odair Moniz caiu no chão, depois de um confronto com os dois agentes da PSP que estavam no bairro da Cova da Moura.
Estas imagens foram mostradas ao inspetor da PJ André Mesquita, que foi questionado pelo advogado Ricardo Serrano Vieira sobre a luz que é visível durante uma fração de segundo no momento em que Odair Moniz cai no chão. "Vejo um clarão", referiu o advogado, tendo a juíza que preside ao coletivo respondido: "Eu não vejo um clarão".
A sessão de hoje foi reservada para a audição dos inspetores da PJ, tendo sido também ouvido o coordenador da investigação criminal à data da morte de Odair Moniz, Pedro Costa, que não esteve no bairro da Cova da Moura, Amadora, nem na autópsia.
Já o inspetor Pedro Costa quis sublinhar que a Cova da Moura regista várias situações que envolvem armas de fogo, sendo esta uma zona onde "tem de haver outras formas de abordagem, porque, infelizmente, os registos de ocorrências assim o comprovam".
Na próxima sessão, marcada para o dia 18 de maio, será ouvida uma inspetora da PJ, estando também previstas as alegações finais, uma vez que já foram ouvidas todas as testemunhas.
Odair Moniz, de 43 anos e residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi morto a tiro pelo agente da PSP Bruno Pinto em 21 de outubro de 2024, depois de ter tentado fugir à PSP e resistido a detenção na sequência de uma infração rodoviária.
Segundo a acusação do Ministério Público, datada de 29 de janeiro de 2025, o homem cabo-verdiano foi atingido por dois projéteis - um primeiro na zona do tórax, disparado a entre 20 e 50 centímetros de distância, e um segundo na zona da virilha, disparado a entre 75 centímetros e um metro de distância.
No despacho do Ministério Público não é referida qualquer ameaça com uma arma branca por parte de Odair Moniz.
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