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Votos nulos nas presidenciais aumentaram. CNE esclarece papel dos candidatos excluídos

Pedro Henrique Miranda 19 de janeiro de 2026 às 16:38

Dos boletins de voto constavam três candidaturas anuladas, que coincidiram com mais 20 mil votos nulos. Comissão de eleições diz que diferença "não parece ter sido significativa".

Nos resultados da primeira volta das eleições presidenciais do passado domingo, há um detalhe que poderá ter passado despercebido aos eleitores: o número de votos nulos, 65.381, foi, pela primeira vez num sufrágio presidencial do século XXI, , 61.226. A última vez que tal se verificou foi há 30 anos, em 1996, no pleito que elegeu pela primeira vez Jorge Sampaio, em confronto com Cavaco Silva, quando foram contabilizados 63.463 votos em branco e 69.328 votos nulos.
Boletim para a eleição presidencial com candidatos visíveis ANTONIO COTRIM/LUSA
O dado pode parecer acessório, mas torna-se saliente dado que, do boletim de voto, constavam três nomes cujas candidaturas foram reprovadas pelo Tribunal Constitucional, por irregularidades na entrega das assinaturas: Joana Amaral Dias, Ricardo Sousa e José Cardoso. Apesar da ampla presença de avisos à porta das secções de voto a alertar para as candidaturas inválidas nos boletins, poderá esta irregularidade estar por trás do número elevado de votos nulos, mais 20.000 do que nas presidenciais de 2016 e 2021? À SÁBADO, Fernando Anastácio, secretário da Comissão Nacional de Eleições, esclarece que é possível, mas pouco provável. Começa por explicar que é considerado "nulo qualquer voto em que o quadrado do candidato não esteja assinalado, ou em que haja dúvidas sobre o candidato escolhido", bem como o voto "colocado no candidato que tenha desistido ou que, apesar de estar no boletim, não tenha sido admitido", o que admite a possibilidade do fenómeno estar na origem do aumento dos votos nulos. Ressalva, no entanto, que apesar de "se ter verificado um crescimento em termos percentuais", é preciso ter em conta que "comparativamente às últimas presidenciais, há mais de um milhão e meio de votos a mais" – 5.767.034 em 2026 contra 4.262.672 em 2021 – o que justificaria o aumento dos votos nulos em termos absolutos, pelo que as diferenças "não parecem ser significativas". Quanto ao aumento relativo dos votos nulos face aos votos em branco, reconhece que a impressão de candidaturas excluídas (que o representante da CNE atribui a "prazos legais incompatíveis com a execução material da eleição") "poderá ter tido um efeito" – que, em última análise, mudaria muito pouco nas contas finais do sufrágio, dados os resultados.
Fernando Anastácio esclarece ainda que a influência exata desta imprecisão é "tecnicamente impossível de averiguar" excluindo-se a recontagem, visto que "não é feita qualquer separação" dos votos nulos em razão do motivo da sua nulidade, e que tal só seria possível "através de uma análise das atas de todas as mesas de voto, se todas elas contemplassem uma diferenciação por razões de nulidade".  Quanto à segunda volta, em relação à qual já se levantaram questões dada a brevidade dos prazos – apenas três semanas separam os dois atos eleitorais, ou duas, no caso do voto antecipado –, a CNE recusa motivos para "alarmismo", garantindo que está previsto que tudo decorra na normalidade. "Vão ser impressos boletins com os dois candidatos que passaram à segunda volta", que serão utilizados "em todo o território nacional e nas mesas de voto fora do País", vinca. Quanto ao voto no estrangeiro, diz que será "feito um esforço para que esses boletins cheguem aos consulados a tempo e horas para a votação em mobilidade antecipada, é essa a regra e o objetivo", ressalvando que "em alguns casos de muita dificuldade, a lei eleitoral estabelece a possibilidade de serem usados, excecionalmente, os boletins da primeira volta". Sublinha, no entanto, que "serão sempre situações muito pontuais".  A segunda volta das eleições presidenciais de 2026, entre António José Seguro e André Ventura, está marcada para domingo, 8 de fevereiro, realizando-se o voto antecipado no domingo anterior, 1 de fevereiro. 
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