Secções
Entrar

Ventura responde a Fernando Medina sobre ilegalização do Chega

21 de novembro de 2020 às 11:02

Medina acusou o PSD de contribuir para a normalização do partido de Ventura e admitiu "que a questão da ilegalização do Chega venha a colocar-se" por ser um partido "xenófobo, racista e intolerante".

O líder do Chega dramatizou hoje o seu discurso em resposta ao socialista e presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, que na sexta-feira colocou a hipótese de o recém-formado partido vir a ser ilegalizado.

"É uma afronta nunca vista em democracia, própria das ditaduras, de um presidente de Câmara com tiques ditatoriais, quando se pretende remeter à obscuridade aquela que é, segundo as sondagens, a terceira ou quarta força política portuguesa", disse, em declarações à agência Lusa.

Segundo o deputado único do partido nacional-populista, "se o Chega for ilegalizado, os seus apoiantes, militantes e dirigentes não desaparecerão por magia e continuarão a fazer a sua luta na clandestinidade, contra um sistema que esqueceu o que era a democracia".

"O sistema tem de saber isto: não deixaremos de lutar mesmo que usem as armas mais baixas contra nós. Ilegalizar o Chega é remeter milhares de pessoas para a luta de clandestinidade... E nós estamos dispostos a isso!", prometeu.

Ventura vincou que "querem ilegalizar o Chega para vencer na secretaria o que não conseguem nas urnas".

Fernando Medina, em entrevista ao Observador, acusou o PSD de contribuir para a normalização do Chega, referindo-se ao acordo de viabilização do Governo Regional dos Açores e afirmou: "admito que a questão da ilegalização do Chega venha a colocar-se".

Para o autarca lisboeta, o partido da extrema-direita parlamentar devia ser considerado ilegal porque é "xenófobo, racista e intolerante".

"Não passarão. No Chega, lutaremos até ao fim. Até perceberem que viemos por bem e estamos dispostos a sacrificar a vida por Portugal. Ilegalizar o Chega? Terão 30 anos de luta clandestina e muito dura!", garantiu Ventura.

O também candidato presidencial do Chega lamentou ainda que a sua concorrente ao Palácio de Belém Ana Gomes, diplomata e ex-eurodeputada socialista, também tenha defendido a ilegalização do seu partido.

A antiga embaixadora de Portugal em Jacarta considerou "ridícula" a coima aplicada a "um deputado" que teve "mais uma vez tiradas absolutamente contrárias à democracia", aludindo à multa de que Ventura foi notificado esta semana pela Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR), devido a uma mensagem numa rede social sobre a comunidade cigana.

Na ótica de Ana Gomes os responsáveis das instituições democráticas "não podem contemporizar com estratégias complacentes em relação a forças racistas e xenófobas que estão proibidas pela Constituição" e apontou o dedo a Ministério Público e Tribunal Constitucional.

 

Artigos recomendados
As mais lidas
Exclusivo

Operação Influencer. Os segredos escondidos na pen 19

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima
Dinheiro

Os testamentos de Francisco Pinto Balsemão

TextoAna Taborda
FotosAna Taborda
JUSTIÇA. O QUE ESTÁ NO PROCESSO INFLUENCER

Escutas da Operação Influencer. Sei o que disseste ao telefone durante três anos

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima