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Trabalhadores da EMEL iniciam greve parcial de quatro dias

Lusa 22 de junho de 2026 às 07:17

Dirigente sindical Orlando Gonçalves prevê "um grande impacto", sobretudo na fiscalização e nos parques de estacionamento na cidade de Lisboa.

Os trabalhadores da EMEL - Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa iniciam esta segunda-feira uma greve parcial, que se prolongará até quinta-feira, para exigir "uma revisão salarial digna", seguindo-se um novo plenário na sexta-feira junto à Câmara Municipal.

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A greve parcial será de "duas horas diárias" por turno.

Assim, no primeiro turno a paralisação será das 10h00 às 12h00, depois das 15h30 às 17h30, ambos os horários com piquetes de greve junto à sede da EMEL, na freguesia lisboeta do Lumiar. Para os trabalhadores do turno da noite a paralisação será das 18h00 às 20h00, enquanto o turno da madrugada parará entre as 06h00 e as 08h00.

Quanto às consequências da greve no serviço da EMEL, o dirigente sindical Orlando Gonçalves, do CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, disse à Lusa que se prevê "um grande impacto", sobretudo na fiscalização e nos parques de estacionamento na cidade de Lisboa.

Pois, explicou, como a paralisação vai ser a meio dos turnos, os trabalhadores vão ter de sair dos sítios onde estão para ir picar os pontos e, depois, para regressar.

Orlando Gonçalves disse ainda esperar "uma grande participação dos trabalhadores" na greve parcial, que decorrerá ao longo de quatro dias consecutivos.

A greve foi decidida em 01 de junho pelos trabalhadores da EMEL reunidos em plenário junto da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que é acionista única da empresa, exigindo o retomar das negociações do Caderno Reivindicativo, com "uma proposta séria" de aumento salarial.

De acordo com o dirigente sindical do CESP, o conselho de administração da EMEL propôs, para este ano, um aumento salarial de 25 euros, valor que os trabalhadores consideraram "inaceitável", inclusive porque fica "muito aquém das reais possibilidades" da empresa municipal, e sugeriram "150 euros de aumento".

"Tentámos a todo o custo. Mantemos a nossa disponibilidade para o diálogo, mas que seja apresentada uma proposta concreta e digna, e que valorize os trabalhadores", afirmou.

As reivindicações dos trabalhadores da EMEL passam por uma revisão salarial "significativamente superior aos 25 euros" e "uma negociação séria" das propostas do Caderno Reivindicativo, bem como o assumir de compromissos assumidos anteriormente, como a implementação das diuturnidades, para valorização da antiguidade dos trabalhadores na empresa.

Orlando Gonçalves criticou as opções de gestão do conselho de administração da EMEL, presidido por Carlos Silva, em que se justifica a indisponibilidade por aceder às reivindicações dos trabalhadores com a atual situação económica, nomeadamente devido à guerra e ao aumento do preço dos combustíveis, mas gasta "quase meio milhão de euros" para patrocinar provas de corrida e ciclismo.

"Fez uma opção relativamente ao que fazer com o dinheiro que recebe, que são, em termos orçamentais, mais de 60 milhões. Portanto, vir com a desculpa de que 'não há dinheiro', haver há, a maneira como se o gasta é que se põe em causa. E não pode ser à custa dos salários dos trabalhadores, que depois se tenha dinheiro para os investimentos, para os patrocínios, e não haja dinheiro para aumentar os salários", declarou.

Por isso, os trabalhadores da EMEL, "com grande determinação", vão estar em greve até quinta-feira e vão realizar um novo plenário na sexta-feira, a partir das 13:00, novamente junto da CML, para reforçar a "insatisfação" à porta da acionista única da empresa e decidir eventuais novas ações de luta em defesa de "uma revisão salarial digna", acrescentou.

O plenário de 01 de junho contou com a participação de cerca de 100 trabalhadores da EMEL, de um total de 800, referiu ainda o dirigente do CESP, acrescentando que atualmente o salário mínimo praticado na empresa municipal ronda os 1.000 euros, valor que está "muito abaixo" do custo de vida na cidade de Lisboa.

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