Taxistas alertam Governo: "Há empresas que não vão suportar este aumento dos combustíveis"
Federação Portuguesa do Táxi enviou documento ao Ministério das Infraestruturas.
A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) está preocupada com os efeitos da escalada dos preços dos combustíveis no setor e enviou um documento ao Ministério das Infraestruturas a solicitar que o Governo tome medidas, avisando que está em risco "a sobrevivência de milhares de profissionais e a continuidade do serviço público do táxi em muitas zonas do País".
Entre as medidas propostas estão "a criação do gasóleo profissional do táxi, com reembolso parcial do ISP, à semelhança do que já acontece para o transporte de mercadorias", "um programa anual de apoio ao combustível para o táxi, via fundo ambiental, com montante por viatura alinhado com o esforço feito paras os autocarros" e o "reforço de apoios à descarbonização, com mais verbas para os táxis de baixas emissões e pontos de carregamento dedicados".
Carlos Silva, presidente da FPT, explica à SÁBADO que não foi pedida nenhuma reunião formal ao Ministério, mas o dirigente espera uma resposta às reivindicações do setor, que não tem dúvidas serem da máxima urgência. "Estamos à espera. Fizemos o pedido e nele dissemos em concreto o que pretendemos. Há mecanismos que já foram usados no passado, entre 2021 a 2023, que achamos que podem ser implementados agora."
O líder da FPT lembra que nesse período "o fundo ambiental tinha um mecanismo de mitigação dos custos dos combustíveis". "Era de 20 a 30 cêntimos por litro, para um máximo de 380 litros por mês, o que dava cerca de 342 euros por cada táxi licenciado. Devia-se recuperar este mecanismo para apoiar já o setor."
Carlos Silva avança também com um pedido antigo, "gasóleo profissional para os táxis, como o de mercadorias", porque esta crise dos combustíveis só veio agravar ainda mais os problemas já existentes. "Estamos a correr o risco de ver empresas de táxi encerrar por não terem viabilidade económica. Neste momento temos uma situação financeira muito difícil, face à concorrência, os TVDE. Defendemos que esse setor, que nos faz concorrência direta, devia ter preços mínimos. Praticam dumping diário para ganhar quota de mercado, o que nos está a aniquilar! Isto, associado aos combustíveis, está a deixar-nos numa situação muito complicada."
O dirigente recorda ainda o papel que o "táxi tem em muitas zonas do país com baixa densidade populacional, que não são apelativas para as plataformas" e que é urgente uma intervenção do Governo.
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