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Tarifas: Chega considera que acordo entre UE e Estados Unidos "é mau" para a Europa

Lusa 28 de julho de 2025 às 21:08

Questionado sobre o acordo alcançado com Estados Unidos relativamente às tarifas, André Ventura afirmou que "a Europa, mais uma vez, negociou mal".

O presidente do Chega, André Ventura, considerou esta segunda-feira que o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos "não foi um bom acordo para a Europa", atribuindo culpas para "um bloco europeu fraco, com líderes fracos".

RUI MINDERICO/LUSA

"Acho que não foi um bom acordo para a Europa. Isso parece-me evidente que não foi. Basta perceber um pouco da interação da economia dos dois blocos - dos Estados Unidos e da União Europeia - para compreender que a maior parte das tarifas, penso que, aliás, em 99% dos casos estavam em cerca de 1,5% e agora passarão, tanto quanto se sabe, para 15%", declarou André Ventura.

O presidente do Chega falava aos jornalistas à margem da apresentação da candidatura do partido à Câmara Municipal de Lisboa, num evento que decorreu no Pavilhão Carlos Lopes, no centro da capital.

Questionado sobre o acordo alcançado com Estados Unidos relativamente às tarifas, André Ventura afirmou que "a Europa, mais uma vez, negociou mal".

"A culpa disto é basicamente termos um bloco europeu fraco, com líderes fracos e com uma Comissão Europeia fraca. Quem veio elogiar o acordo, até agora, foi a presidente da Comissão Europeia que o estabeleceu e o próprio presidente do Conselho Europeu, António Costa, igualmente da mesma linha", indicou o líder do partido Chega, referindo que o Reino Unido conseguiu um melhor acordo sozinho do que a Europa com os Estados Unidos.

Para André Ventura, este é "um acordo mau" para a indústria europeia e para a indústria portuguesa, incluindo os setores do vinho, da metalomecânica, do calçado e dos têxteis, assim como "a indústria automóvel, que não afetando tanto a indústria portuguesa, tem um grande peso, sobretudo na economia alemã, que acaba por afetar a Europa toda".

"O que aconteceu aqui foi que a Europa, mais uma vez, com medo das consequências e com medo de se afirmar, acabou por deixar passar um acordo que é mau para si, é mau para si o acordo tem com os Estados Unidos, é mau para si os acordos que tem com a China", expôs.

Lembrando que a União Europeia é economicamente o maior bloco do mundo, o presidente do Chega sublinhou a necessidade de proteger a indústria europeia.

"O que sinceramente se retira deste acordo é que os Estados Unidos beneficiaram muito mais deste acordo do que a Europa", reforçou André Ventura, defendendo um acordo em que, no mínimo, as partes seriam igualmente afetadas.

Assumindo uma posição de defesa da economia nacional, inclusive dos postos de trabalho, o líder do Chega explicou que tal significa "retaliar a toda a gente" que ameace impor qualquer tipo de limitação, respondendo que, se o fizerem, serão aplicadas tarifas "em dobro ou em triplo".

Sobre se a alternativa a este acordo passaria por uma guerra comercial, André Ventura respondeu: "Há momentos na vida em que usar a força é fazer a paz. Eu penso que a frase é de Winston Churchill, não é minha, mas há momentos na vida em que é mesmo assim. Nós temos de usar a força para fazer a paz."

"Se tivéssemos usado mais força, se calhar a guerra na Ucrânia não tinha acontecido. Se tivéssemos usado mais força, se calhar o Médio Oriente não estava como está. Se tivéssemos usado mais força, se calhar também os Estados Unidos não tinham o à-vontade de impor à Europa o que o que querem impor", acrescentou.

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, alcançado no domingo, fixa em 15% as tarifas aduaneiras norte-americanas sobre os produtos europeus.

O acordo prevê também o compromisso da UE sobre a compra de energia norte-americana no valor de 750 mil milhões de dólares (cerca de 642 mil milhões de euros) -- visando nomeadamente substituir o gás russo -, o investimento de 600 mil milhões adicionais (514 mil milhões de euros) e um aumento das aquisições de material militar.

Os EUA e os países da UE trocam diariamente cerca de 4,4 mil milhões de euros em bens e serviços.

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