Prestação Social Única aprovada em Parlamento com abstenção do PS
Chega, Livre, PCP, Bloco de Esquerda, PAN e JPP votaram contra a proposta.
O Parlamento aprovou esta quinta-feira a criação da Prestação Social Única (PSU), que junta 13 prestações numa só.
A medida recebeu os votos favoráveis do PSD e CDS. O Partido Socialista (PS) e a Iniciativa Liberal abstiveram-se. Já o Chega, o Livre, o PCP, o Bloco de Esquerda, o PAN e o JPP votaram contra.
No Parlamento, André Ventura explicou que o Chega “não aceita e nunca aceitará que quem vem para o país sem contribuir com um cêntimo receba subsídios pagos pelos portugueses” e acusou, por isso, o PSD de ir "ter" com o PS para conseguir a aprovação desta medida. Ventura considerou ainda “errado obrigarmos os cidadãos portugueses a trabalhar com cancro, quando ciganos e outras minorias há anos que não trabalham neste país”.
Já Alfredo Maia, do PCP, considerou que a PSU culpabiliza os pobres pela sua própria pobreza. Sobre a sua aprovação, disse que ao menos o acordo do PS e do PSD permitiu que a "aliança preferencial com o Chega não se concretizasse".
A mesma ideia foi partilhada pelo JPP. “A pobreza não é uma escolha, é uma realidade dura e pura que pode bater à porta de cada um. E por detrás de cada prestação social há um drama e há um rosto”, lamentou Filipe Sousa. Acima de tudo acredito nas pessoas, no humanismo e num estado de direito que olha para os mais vulneráveis. Há famílias que vivem todos os dias entre a esperança e a angústia, que não posso ignorar”.
Quanto à Iniciativa Liberal, que se absteve, Joana Cordeiro frisou que o partido até concordou coma criação da PSU, mas criticou todo o processo ao dizer que se aprovou um "cheque em branco". “Neste processo, a Iniciativa Liberal empenhou-se, fez bastantes propostas de alteração e todas foram rejeitadas. (...) Acham normal que um doente com cancro seja obrigado a fazer trabalho social para receber uma prestação social dirigida aos mais pobres dos mais pobres?”
Eurico Reis, por sua vez, esclareceu que o PS "viabilizou" a proposta porque o partido "jamais podia abandonar os vulneráveis e o País". Disse ainda assim que não votou a favor porque esta autorização legislativa merecia mais tempo e espaço para debate.