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Mau tempo: Associação de Vítimas de Pedrógão Grande acusa Governo de resposta lenta

Lusa 02 de fevereiro de 2026 às 10:14

A associação destaca que quem esteve ao lado das populações foram "as autarquias locais, os funcionários municipais, os bombeiros locais, os voluntários e todos os agentes da Proteção Civil que trabalham, vivem e respiram este território".

A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) acusou o Governo de resposta "lenta, insuficiente e distante" na sequência da depressão Kristin, e considerou que o Interior do país esteve sozinho.
Pedrógão Grande foi fortemente atingido pela depressão Kristin Lusa
"O que dói ainda mais é perceber que, mesmo com alertas, a resposta do Governo foi lenta, insuficiente e distante. O Estado demorou a responder e, principalmente, a chegar quando era mais necessário", referiu a associação numa nota enviada à agência Lusa. No texto, a AVIPG, criada após os incêndios de 2017 em Pedrógão Grande (distrito de Leiria), sustentou que a depressão "veio ao Centro de Portugal e deixou marcas profundas", como "estradas cortadas, árvores derrubadas, casas destelhadas, famílias com dias sem eletricidade, sem água, sem comunicações". "Mais uma vez, vimos o Interior sozinho a enfrentar a tempestade", adiantou, salientando não se tratar de números, mas de pessoas, como idosos sozinhos, crianças assustadas e "famílias que sentiram o medo e a incerteza no corpo e na alma". A associação destacou que quem nunca falhou e esteve ao lado das populações foram "as autarquias locais, os funcionários municipais, os bombeiros locais, os voluntários e todos os agentes da Proteção Civil que trabalham, vivem e respiram este território". "Foram eles que abriram caminhos, que levaram comida, água e conforto, que verificaram casa a casa para ver se alguém precisava de ajuda", pessoas que "garantiram o essencial quando tudo parecia perdido". Além disso, "como sempre, foi o povo do Interior que se levantou". "Pessoas cansadas de tantas crises, mas com coragem de sobra. Foi a resiliência das nossas comunidades que brilhou, mas essa força não pode servir de desculpa para a falta de ação de quem nos governa a nível central". Assegurando que conhece "demasiado bem a dor do abandono, o peso de esperar por respostas que nunca chegam, a luta por justiça e reconhecimento", a associação de vítimas prometeu não se calar, exigindo "respeito pelas populações do Interior", mas também "prevenção séria, comunicação clara, apoios rápidos e coordenados".
"Exigimos que os municípios não fiquem sozinhos a carregar problemas que são de todos. Exigimos que as pessoas sejam prioridade, não estatística", adiantou a AVIPG, que rejeitou privilégios, mas que exigiu "justiça e dignidade", para que "viver no Interior não signifique estar sempre no fim da fila".
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Pedindo que as comunidades no Interior do país "sejam protegidas como merecem", a associação, dirigindo-se a todas as pessoas afetadas, garantiu que "não estão sozinhas", pois a AVIPG luta "para que nenhuma comunidade seja esquecida". "Porque a dignidade das pessoas não se adia. E o Interior também é Portugal". Os incêndios que deflagraram em junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas. A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador. Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal. Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada após uma reunião do Conselho de Ministros, até domingo.
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