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"Maria Lúcia Amaral é uma distinta jurista sem competências para ministra", garante ex-ministro
A depressão Kristin desabou sobre a ministra da Administração Interna. Acumulam-se críticas à gestão política da crise, à incapacidade de comunicação e à descoordenação da tutela - e uma remodelação pode estar a caminho.
“Não é uma pessoa fácil para trabalhar”, diz uma fonte da Provedoria da Justiça que partilhou gabinete com a atual ministra da Administração Interna, quando Maria Lúcia Amaral era Provedora da Justiça, cargo que ocupou antes de ser convidada para o Governo pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, em junho de 2025. “Não a escolheria para ministra, não tem capacidade para chefiar equipas”, salienta.
Tomada de posse da Ministra da Administração Interna
DR
Gafes nos escombros
Para responder à destruição causada pela tempestade Kristin, o Governo de Luís Montenegro lançou vários ministros no terreno. O da Agricultura, José Manuel Fernandes, falou com agricultores afetados e visitou, por exemplo, uma “vinha destruída pela tempestade” — e o Governo lançou uma plataforma onde os prejuízos podem ser declarados. O da Presidência, Leitão Amaro, deu a cara nas televisões e nos jornais e coordenou a resposta de emergência à catástrofe - e também foi alvo de críticas devido a um vídeo propagandístico. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, visitou as zonas afetadas pela tempestade, no dia 30 de janeiro de 2026, na região de Marinha Grande e Leiria - e afirmou que “um trabalho grande” estava em curso para repor os serviços essenciais de eletricidade e que geradores tinham sido distribuídos nas zonas mais impactadas. Mas a ida aos escombros de Maria Lúcia Amaral não correu como o esperado. A ministra cometeu uma série de erros de comunicação. No dia 30 de janeiro de 2026, falou pela primeira vez após a passagem da tempestade Kristin, ocorrida na madrugada de 28 de janeiro. Ao ser questionada pelos jornalistas sobre a sua ausência no terreno até então, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, justificou que “há muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade”, referindo-se à “recolha de informação, reflexão, planeamento e coordenação” que esteve a desenvolver nesses primeiros dias. Mais tarde, durante visitas às zonas afetadas — incluindo Leiria, onde chegou pouco antes do Presidente da República, nessa mesma tarde de 30 de janeiro de 2026 —, a ministra admitiu a complexidade da resposta e falou em “aprendizagem coletiva”, reconhecendo que ainda não se conseguiu determinar claramente “o que falhou” na atuação das autoridades face à tempestade: “Não sei o que falhou”, disse.Erros operacionais
Também o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, esteve ausente do país a meio do comboio de tempestades para formação em Bruxelas — e com autorização da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), apurou a SÁBADO. No âmbito do curso de auditor de Defesa Nacional do Instituto da Defesa Nacional, em Lisboa, a autoridade da Proteção Civil viajou para a capital belga no dia 26 de janeiro, depois da tempestade Ingrid, a meio da Joseph e mesmo antes da depressão Kristin. A Comissão de Assuntos Constitucionais aprovou, dia 4 de fevereiro, a audição urgente da ministra da Administração Interna e do secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, sobre a resposta à tempestade Kristin e o funcionamento da rede SIRESP. Os requerimentos para ouvir no Parlamento a ministra foram apresentados pelo Chega e a IL, com os deputados do partido liderado por André Ventura a propor também a audição do secretário de Estado da Proteção Civil — ambos aprovados por unanimidade. “A oposição não vai largar a ministra, que deve perder as condições políticas para permanecer no cargo”, conclui o ex-ministro de Cavaco Silva. A gestão da calamidade Kristin não é o único fantasma que assombra o ministério de Maria Lúcia Amaral. Os dossiês sobre as forças internas de segurança também estão em causa: “O Governo continua a escolher pessoas que, apesar de carreiras invejáveis, não estão vocacionadas para tutelar o ministério, nem têm relação conexa com o sistema de segurança interna”, afirma à SÁBADO Bruno Pereira, líder sindical da PSP. Sinaliza que "a ministra não tem tido a sensibilidade devida para o que é prioritário para as forças de segurança" e dá como exemplo o não avanço "do acordo salarial alcançado em julho de 2024”. O líder sindical considera que o relacionamento com a tutela é “ético e franco”, mas assegura que “as forças de segurança continuam com imensas dificuldades em contratar novos operacionais” e que a atual ministra “não alterou nada”. “Há um arrastar dos problemas no setor”, conclui.Artigos Relacionados
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