Cerimónia teve lugar em Belém com a presença em peso do Governo.
Luís Neves tomou esta segunda-feira posse no Palácio de Belém como Ministro da Administração Interna. O ex-diretor da Polícia Judiciária foi o escolhido por Luís Montenegro para suceder a Maria Lúcia Amaral, que deixou o cargo depois da crise motivada pelas tempestades que afetaram recentemente o país.
Luís Neves no momento da tomada de posseLusa
Na sala dos embaixadores, na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e praticamente todos os elementos do Governo, foram reconduzidos os secretários de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro; o secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, e o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha.
"Dei toda a minha vida ao país, neste momento de grande exigência senti este apelo, estaria dentro de um ano a terminar carreira enquanto diretor da PJ e decidi abraçar este novo projeto", explicou Luís Neves aos jornalistas, depois de tomar posse. "É uma decisão difícil, não apenas pelo que foi a minha carreira na recuperação da PJ, mas pelos desafios que a área da administração interna colocam. Tenho a honra e o prazer de ser mais um elemento da GNR, da PSP, da Proteção Civil, de todos todos que estão sob administração do ministério."
O novo ministro garantiu não haver conflito de interesses por a instituição que liderou ter investigado o primeiro-ministro. "O diretor nacional da PJ não investiga ninguém. O papel do diretor da PJ é organizar e prover meios para uma instituição. Aceitei com muito ânimo, ciente do papel que tive e do papel que tenho agora. O que fiz no passado continuarei a fazer, a trabalhar no sentido de dotar as pessoas dos melhores meios possíveis. Trabalhar na Administração Interna é trabalhar na prevenção, na antecipação. É trabalhar com espírito de coordenação e cooperação em todas as áreas."
Luís Neves deixou também "uma palavra de grande estímulo a todos os homens e mulheres que trabalham nos bombeiros, nas forças armadas e em todas as estruturas", sem esquecer "os autarcas". "Sou um homem da Beira Baixa, tenho uma costela alentejana e sei o que é o interior do país. Conto com o poder local para podermos levar por diante a missão que hoje assumi. Que ninguém se sinta dono de nada, há momentos em que temos de interagir como um corpo só. São estes os princípios que me irão nortear na equipa do Ministério da Administração Interna.
E deixou um aviso: "Ouvi o que foi dito este fim de semana. Sou humilde para dizer que todas as propostas que sejam positivas serão tidas em conta. As que não estejam nesse patamar serão discutidas, as que violem a minha consciência serão afastadas."
Luís Neves assume aos 60 anos, depois de oito anos à frente da Polícia Judiciária e ao fim de três décadas ao serviço desta polícia de investigação criminal. É uma figura respeitada entre as polícias e até pelos partidos da oposição, que terá agora pela frente não só a preparação da época dos incêndios, mas também a reforma da Proteção Civil, além de mudanças no SIRESP. Vai também assumir as negociações com os sindicatos da PSP e associações da GNR, que estavam a ser levadas a cabo pela anterior ministra.
Esta foi a primeira mudança na composição do XXV Governo Constitucional, o segundo executivo PSD/CDS-PP chefiado por Luís Montenegro, que tomou posse há quase nove meses, a 5 de junho do ano passado.
(Notícia atualizada às 10h32 com as declarações de Luís Neves)