José Luís Carneiro considera novo gestor do SIRESP um dos que mais sabe de comunicações
General do Exército Paulo Viegas Nunes vai regressar à liderança da empresa que gere a rede SIRESP.
O secretário-geral do PS considerou esta segunda-feira que o general do Exército Paulo Viegas Nunes, que vai regressar à liderança da empresa que gere a rede SIRESP, é um "servidor do Estado" e dos que mais sabe de comunicações.
"O senhor general Viegas Nunes é uma das personalidades que mais sabe, deve ser dos que mais sabe de comunicações no nosso país", disse José Luís Carneiro à margem de uma visita à Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto, onde teve uma conversa com alunos.
O socialista salientou que Paulo Viegas Nunes, especialista em sistemas de informações, é um "servidor do Estado".
"Espero que não haja quem o queira prejudicar por ele ser um servidor do interesse público do Estado", reforçou.
O general do Exército Paulo Viegas Nunes vai regressar à liderança da empresa que gere a rede SIRESP, anunciou o Ministério da Administração Interna (MAI), na sexta-feira, avançando que ele foi eleito na assembleia geral da sociedade.
Nesse mesmo dia, o secretário-geral adjunto do MAI, António Pombeiro, pediu a demissão do cargo. O ministério, na resposta enviada à Lusa, referiu que este foi o segundo pedido de demissão, tendo o primeiro acontecido antes da nomeação de Paulo Viegas Nunes.
Contudo, no `email´ que António Pombeiro enviou a propósito do pedido da sua exoneração, citado pela CNN, apontou "graves irregularidades" na gestão do SIRESP durante a presidência do general do Exército.
"Se outras matérias há que sejam do conhecimento do Governo e da secretária-geral são matérias que, agora, competem ao novo ministro esclarecer e não a mim porque deixei de ser ministro há dois anos", sublinhou José Luís Carneiro.
O socialista destacou que, quando assumiu a liderança do MAI, o general cumpriu todas as missões que lhe foram confiadas.
"Eu sei as missões que lhe dei e as missões que ele cumpriu. A primeira missão foi garantir que um concurso público internacional chegava ao fim em condições de defender o interesse do Estado e o general Viegas Nunes conseguiu garantir que esse concurso chegasse ao fim, poupando ao Estado 11 milhões de euros por ano", especificou.
A segunda missão, igualmente cumprida, foi garantir a interoperabilidade das comunicações das regiões autónomas com o continente, assinalou.
"E a terceira missão, e esta eu sei que provoca alguma divergência com muitos outros entendimentos, foi garantir que o sistema de comunicações civis é capaz de interagir e de ter interoperabilidade com os sistemas de comunicações militares", acrescentou.
Além disso, o secretário-geral do PS apontou ainda que foi Paulo Viegas Nunes que garantiu que o sistema de comunicações de segurança do Estado funcionasse plenamente durante a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa.
"Há uma coisa que eu sei. Quando eu cheguei ao MAI havia uma, digamos, perturbação imensa e não havia sequer relação entre a secretária-geral e o SIRESP e conseguimos algo de muito importante que foi colocar o SIRESP e a secretária-geral a dialogarem para servir o interesse do Estado", ressalvou.
A empresa pública SIRESP S.A. estava sem liderança há dois anos, depois de Paulo Viegas Nunes ter deixado a presidência no final de março de 2024.