Ex-jornalista e assessor de António Costa e Carneiro: quem é Duarte Moral?
Tem uma longa ligação ao PS e foi um dos cinco detidos na Operação Imergente. Hoje deve ser conduzido a tribunal.
As ligações de Duarte Moral ao PS remontam ao final do século passado. O ex-jornalista e a mulher, Rute Reimão, estão entre os cinco detidos na operação de buscas que a Polícia Judiciária levou a cabo esta quinta-feira em juntas de freguesia de Lisboa ligadas ao PS, bem como na sede nacional do partido, no Largo do Rato, relacionadas com um artigo publicado pela SÁBADO em janeiro de 2022.
Na década de 1990, Duarte Moral foi editor de política do jornal Público. Mas em 1999 e 2000 tornou-se assessor de António Costa, então ministro da Justiça no governo de António Guterres.
Em 2001 regressou ao jornalismo, passou pelo Independente e pelo Meios & Publicidade, mudando-se depois para o Diário de Notícias, em 2002, onde foi editor de Desporto.
Em 2005 regressou ao PS para assessorar de novo António Costa, agora como ministro da Administração Interna no governo de José Sócrates. Manteve-se no cargo até 2007. Depois tornou-se assessor do grupo parlamentar do PS, entre 2007 e 2009, regressando novamente entre 2015 e 2017, tendo chegado a produzir conteúdos para o site e as redes sociais do partido. Em 2010, foi nomeado adjunto do secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, que agora é vice-presidente da Assembleia da República.
Atualmente, assessorava o secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, que numa reação às buscas ontem realizadas fez questão de sublinhar que "o PS não é visado nas diligências", garantindo, de qualquer forma, total cooperação com as autoridades.
Fervoroso adepto do Sporting, Duarte Moral chegou a ser comentador de futebol na CMTV.
Em tribunal
O antigo jornalista e os outros quatro detidos na Operação Imergente deverão comparecer esta sexta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação. Estão acusados da "prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia", segundo o comunicado da PJ, que revelou também que foram constituídos 37 arguidos.
Na base da ligação de Duarte Moral a este processo estarão alegadas contratações por ajuste direto feitas à empresa de consultoria, produção de material publicitário e campanhas de marketing de que o atual assessor do PS é sócio, a Diálogo Emergente. Divide a sociedade com Rui Pedro Nascimento, do PS de Oeiras, que também está a ser investigado.